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Por Rômulo de Sá Pereira de O Globo

O motorista ligou o motor e o ônibus partiu. Na trajetória, paradas em várias escolas da rede pública de Niterói. Dentro do veículo, um ambiente lúdico, cheio de arte, onde, em cada colégio, são oferecidas oficinas que misturam literatura, aquarela, colagem, escultura, xilogravura e outras técnicas artísticas. À frente do projeto “1.001 histórias com arte”, que estaciona na cidade no dia 6 de junho, está a paulista de nascimento e criação, mas niteroiense de coração, Carolina Butolo. Ela escolheu a cidade para viver e, hoje, se divide entre São Paulo e Icaraí, de onde toca seus projetos, que têm como foco as crianças.

Acredito que a grande transformação está nos pequenos. Eu sempre trabalhei em projetos muito grandes, com orçamentos gigantescos, que, no final, acabavam sendo muito mais ativos de marketing do que um benefício cultural para a sociedade. Cansei de ficar lutando contra isso e, aí, resolvi fazer uma coisa diferente.

A primeira oportunidade de mudança veio com o convite do Instituto JCV para Carolina gerir este projeto, que na primeira edição, em 2015, chegou a 4.600 crianças, do primeiro e segundo anos do Ensino Fundamental, em 40 escolas do estado.

Elas são convidadas a subir no ônibus, um ambiente colorido, que muitas chamam de espaçonave, e que tem biblioteca e sofás para eles sentarem. Todas ficam ansiosas, porque é totalmente diferente. Há uma contação de história e, depois, descemos para o ateliê montado em volta do veículo, onde acontece a oficina relacionada ao romance, conto ou cordel que foi apresentado.

De acordo com Camila, cada parada é diferente e são apresentados os mais variados tipos de artes plásticas.

Na oficina de cordel, por exemplo, trabalhamos com a isogravura, que é a técnica da xilogravura, só que em isopor. Outro exemplo é a argila. Apresentamos a obra do Mestre Vitalino, contamos um pouco da cultura popular do Nordeste e, depois, trabalhamos o material, que a maioria das crianças nem conhece. Elas ficam enlouquecidas.

Carolina chegou na cidade em 2008 para uma primeira passagem no próprio instituto depois de trabalhar no Museu de Arte Moderna de São Paulo. Ela se apaixonou por Niterói.

O que mais gosto é a praia, é claro. Paulista sempre vai gostar mais da praia. Itacoatiara é o meu lugar. A do Sossego também, lá tem uma vista muito bonita do Morro da Urca.

Quando a vida acalmar, ela, que tem 33 anos, pretende se instalar de vez na cidade. Sua ideia é comprar uma roça.

Eu saí de Niterói para virar uma roceira. Morei por um ano e meio em uma fazenda de orgânicos no interior de São Paulo. Foi uma decisão que me fez desacelerar, experimentar uma vida mais simples, com menos consumo

Por enquanto, ela toca o “1.001 Histórias com arte” e outros projetos na cidade, como um de arte de rua e fotografia, que será lançado na Ilha da Conceição. Mas, independentemente de onde esteja, Carolina pretende estar sempre ao lado das crianças.

Quando eu pensei onde eu poderia ter mais impacto na sociedade, elas logo me vieram à cabeça. Porque os pequenos dessas comunidades têm muito pouco acesso a bens culturais. Além disso, eles não têm o costume de frequentar os espaços de cultura, já que seus pais também nunca o fizeram. Quando elas entram nesse universo, a aceitação é imediata e você consegue perceber que, de alguma forma, plantou uma sementinha ali.

Antes de Niterói, seu ônibus estacionou em Itaboraí e no Rio. Depois de passar por oito escolas do município e atender 800 alunos, será a vez de São Gonçalo, Macaé, Búzios, Cabo Frio e Rio das Ostras. A ideia é, no ano que vem, levar o projeto para a Região Serrana.

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