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DUQUE DE CAXIAS, RJ – Duas atividades realizadas no último mês no município de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, Região Metropolitana do Rio, marcaram, ao que tudo indica, o início do processo de democratização da leitura e das bibliotecas na região. O primeiro foi a criação da Rede Estadual de Bibliotecas Comunitárias do Rio de Janeiro – REBCRJ – por iniciativa das próprias bibliotecas comunitárias. A outra foi a implantação do Plano Municipal do Livro e da Leitura (PMLL), no qual a união do poder público local e dos movimentos populares foi fundamental.

Rede Estadual de Bibliotecas Comunitárias do Rio de Janeiro

Para Antônio Carlos Oliveira, coordenador da Biblioteca Comunitária Solano Trindade, a REBCRJ nasceu de uma demanda das bibliotecas comunitárias da região que visavam, além de angariar recursos, articular o movimento em trono de um propósito comum que é o de promover o incentivo à leitura, democratizando o acesso ao conhecimento.  Carla Alves do Centro Comunitário São Sebastião (CECOM) de Nova Iguaçu, que também participou da fundação da Rede, destaca que as BCs preenchem os espaço renegados pelo Estado: “com o atendimento das bibliotecas comunitárias, a gente atende uma demanda que o poder público não alcança”, destaca. Waldir do Amor Divino coordenador da BC de Vila Araci destaca que a fundação da Rede tende a contornar um problema que atinge todas as BCs, levando muitas a serem fechadas, que é o isolamento.

Plano Municipal do Livro e da Leitura

Na ocasião do lançamento do PMLL, estavam presentes, além de representantes de vinte e cinco instituições voltadas ao incentivo à leitura, os secretários municipais de educação, Roseli Duarte, e de cultura e turismo, Gutemberg Cardoso, a coordenadora do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas (SNBP), Elisa Machado e o representante das BCs, Antônio Carlos Oliveira. Roseli destacou a importância do hábito da leitura para o desenvolvimento educacional dos estudantes. Gutemberg, por sua vez enfatizou que o município vive um momento singular em sua história, ressaltando que o mérito da iniciativa não é só da secretaria de cultura do município, mas do professor Antônio Carlos de Oliveira que encabeçou a empreitada. O secretário aproveitou a ocasião para anunciar duas novidades relacionadas diretamente à questão da leitura. A primeira é a realização da primeira feira literária do município, prevista para este ano; a segunda é a construção do Palácio das Artes, cujo projeto já foi entregue ao arquiteto Oscar Niemeyer e que contará com mais uma biblioteca pública. A coordenadora do SNBP, por sua vez, explicou como se desenvolve o programa, no qual a Fundação Biblioteca nacional (FBN) entra com o acervo e os equipamentos e as prefeituras com o espaço e o pessoal. Elisa parabenizou o município pela iniciativa, pois “a gente tem a presença do Governo Federal, representado pelo Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas e a Fundação Biblioteca Nacional, o pessoal do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas e o pessoal do Sistema Municipal de Bibliotecas Públicas, então, juntar todas essas três esferas, e, tendo as bibliotecas como o grande veículo, o grande impulsionador desses projetos está sendo um grande avanço”. O objetivo do SNBP é o de zerar o número de municípios brasileiros sem bibliotecas, fazendo com que a democratização da leitura seja algo efetivo. Só para se ter uma ideia da carência de acervos, hoje estão registradas no Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas em torno de vinte e seis bibliotecas públicas na região da Baixada. Duque de Caxias conta atualmente com cinco bibliotecas públicas, o que, na avaliação de Cardoso ainda é muito pouco. Não por menos a importância da parceria entre poder público e movimentos sociais. “A partir desse enfoque, a parceria do Poder Público com os Movimentos Populares organizados que pautam por esse caminho, da necessidade de que através das bibliotecas públicas, sejam elas comunitárias ou não, que iremos contribuir muitíssimo para libertação do homem; eu digo libertação do homem no seguinte sentido: quem é informado dificilmente é enganado”, destaca o secretário.

Clique aqui e leia integralmente a entrevista de Elisa Machado que compôs essa reportagem.

Clique aqui e leia integralmente a entrevista de Antônio Carlos Oliveira que compôs essa reportagem.

Clique aqui e leia integralmente a entrevista de Gutemberg Cardoso que compôs essa reportagem.

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Mariana Corrêa

4 Comentários

  1. 7 de julho de 2011 a 0:15 —

    A Revista Biblioo é certamente integrante dessa luta, não só pela cobertura de todo processo, mas é parceira imprescindível. E também pela valor intelectual e humano dessa equipe, que muito mais que profissionais, são militantes para transformar do Brasil, um País de leitores conscientes. Obrigado pela força!

  2. O projeto do Palácio das Artes comporta que tipo de orientação acerca da cultura? Gostaria de ver discutidas as questões mais profundas sobre educação e cultura, como por exemplo, a situação de extremo descaso com as escolas do município e as bibliotecas escolares que sequer existem como espaço vital para a formação dos alunos. Estas obras “para dar a ver” me preocupam muito.

  3. 9 de julho de 2011 a 19:16 —

    Olá Maria da Conceição,
    Concordo plenamente com vc. A luta pelo PMLL é justamente para democratizarmos ainda mais o acesso ao livro, e forçar o poder público a oferecer bibliotecas e políticas de livro e leitura que insiram cada vez mais a população de Duque de Caxias.
    Uma das lutas do plano é a padronizalção das salas de leitura das escolas municipais, e que os mediadores tenham uma estrutura adequada para desenvolver seu trabalho. Seria muito bom ter vc em nosso próximo encontro.

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