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No final do século XIX e começo do XX, Melvil Dewey desenvolveu um importante labor profissional sendo considerado um dos bibliotecários mais influentes do mundo. No entanto, seu comportamento a respeito das mulheres em sua vida privada foi absolutamente reprovável, inclusive em um tempo no qual era mal visto que as mulheres denunciassem um assédio, fazendo com que ele fosse excluído em grande medida da profissão e até expulso da Associação Americana de Bibliotecas (ALA, na sigla em inglês).

Agora o Conselho da ALA foi mais longe e votou pela remoção de Dewey, cofundador da entidade, de sua medalha de liderança criativa por causa de seu antissemitismo, racismo e misoginia. “[Dewey] não permitiu que judeus, afro-americanos ou outras minorias fossem admitidos no resort de propriedade de Dewey e sua esposa, e também fez avanços físicos inadequados em relação às mulheres com quem trabalhou e exerceu o poder profissional “, diz o relatório do Conselho.

O Melvil Dewey Award, de acordo com a Associação Americana de Bibliotecas, é um prêmio anual constituído de uma medalha bronzeada e uma citação em ouro de conquista para liderança criativa recente de alta ordem, particularmente naqueles campos em que Melvil Dewey estava ativamente interessado: gerenciamento de bibliotecas, treinamento de bibliotecas, catalogação e classificação e as ferramentas e técnicas de biblioteconomia.

Uma carta ao editor do The New York Times em 1905 observou que Dewey foi repreendido pelo Conselho de Regentes do Estado de Nova York e renunciou ao cargo de bibliotecário estadual devido a reclamações de líderes judeus sobre seu anti-semitismo, em parte manifestado por sua autora da política de o Lake Placid Club que baniu judeus, negros e outros membros.

Leia também: A obscura história sobre os assédios sexuais de Melvil Dewey, o pai da biblioteconomia moderna

Na revista da ALA de junho do ano passado, a editora Anne Ford lembrou como as primeiras biografias do bibliotecário o definiam como um “génio” e “um profeta apontando para uma gloriosa terra prometida”. A sua história de assédio foi ignorada com a desculpa de que a “consciência da sua própria força e a ausência de propósito maligno levou a uma serena indiferença nas suas relações diárias com as mulheres”. Só com a biografia de Wayne Wiegand, publicada em 1996, a extensão da gravidade do comportamento de Dewey ficou clara.

“Para dizer a verdade, ninguém com quem falamos está pedindo que Dewey seja apagado dos livros de história”, explica Anne Ford. “Nem estão sugeririndo que os seus feitos sejam desconsiderados. Ainda assim, mais de 20 anos após a má conduta de Dewey ter sido revelada no livro Irrepresible Reformer [Reformador Irrepreensível], as admissões públicas do seu racismo e sexismo são ainda raras”, disse a editora.

A ALA ainda não decidiu como se vai chamar a Medalha Dewey. A decisão de retirar o nome do seu fundador do prémio acontece depois da Associação também ter decidido retirar o nome Laura Ingalls do prémio para literatura infantil, dizendo que o legado da autora de “Uma Casa na Pradaria” é “complexo”, sobretudo no que toca ao retrato estereotipado que ela faz dos afro-americanos e dos americanos nativos.

*Com informações da Jewish Telegraphic Agency e do Diário de Notícias de Portugal

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