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Todo ano as tragédias em consequência das chuvas deixam mortos, feridos e desabrigados no Estado do Rio de Janeiro. A Região Serrana como sempre é uma das áreas mais afetadas, com vítimas fatais. Até quando vamos continuar vendo esse cenário se repetir?

Há dois anos as fortes chuvas arrasaram a Região Serrana, deixando um saldo assustador de 921 mortos e 121 desaparecidos. Nesse tempo, boa parte das obras de recuperação e prevenção de encostas nem foram iniciadas. Os recursos foram disponibilizados pelo Governo Federal, mas pelo que parece essas verbas estão esbarrando na burocracia, no descaso, na falta de vontade política e na corrupção.

Essa semana a chuva castigou mais uma vez a cidade de Petrópolis.  O aguaceiro atingiu a região desde domingo (17) e com mais intensidade a partir de segunda (18), deixando até agora 18 feridos, 28 mortos e 1.466 desabrigados de acordo com informação do Corpo de Bombeiros.

Em momentos de tragédia, além dos discursos oportunistas e das desculpas esfarrapadas, esperamos ao menos respeito e dignidade com as vítimas por parte das autoridades e dos governantes. Na verdade a realidade aponta para o descaso e esquecimento. Dois anos se passaram e praticamente nada foi feito para recuperar as áreas de encostas, obras de prevenção de deslizamentos e muito menos as moradias populares para quem ficou desabrigado. Até hoje as vítimas do deslizamento do Morro do Bumbá em Niterói/RJ não tiveram suas casas entregues.

Mesmo com a utilização das tecnologias dos sistemas de alertas e sirenes as mortes não estão sendo evitadas. Os verdadeiros culpados não são punidos e se acreditarmos na cobertura da grande mídia os culpados serão os moradores que se recusaram a sair de suas casas. As autoridades estão impondo que os moradores de encostas abandonem suas casas, mas por outro lado não estão oferecendo outras oportunidades de moradia digna.

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Atualmente o Governador do Estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral está mais preocupado com os Royalties do petróleo do que com a vida dos cidadãos da Região Serrana. Obras em encostas, moradias populares não geram votos e pelo que tudo indica essa última tragédia será esquecida em breve.

Ano que vem tem Copa do Mundo, precisamos de estádios modernos e de estacionamentos. As buscas pelos desaparecidos serão encerradas em breve e a lembrança será o conforto para as famílias atingidas. Novamente vamos ficar culpando o tempo para justificar as tragédias.

Além das águas de março, temos as lágrimas das famílias que perderam seus entes queridos devido a incapacidade de um Estado que está mais preocupado com a esfera privada, do que o bem estar social. Nesse momento os versos do poeta Tom Jobim ficam para reflexão: “É pau, é pedra, é o fim do caminho… São as águas de março fechando o verão, é a promessa de vida no teu coração”.

 

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