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Ao caminhar em frente à Faculdade de letras da UFRJ, deparei-me com um sebo improvisado ao lado das lanchonetes. Achei-o interessante por ser um ambiente limpo e bem decorado para o que, usualmente, encontramos nos centros das grandes cidades urbanas.

Confesso que, muitas vezes, aventuro-me pelos sebos que ainda existem em nossa cidade e fico extremamente triste quando algum é fechado, por motivos de dificuldade financeira geralmente. O Livro impresso velho é sempre preterido por edições novas, salvo exceções em se tratando de obras raras.

Mas nos sebos não há só livros. Há também outros materiais tais como discos de vinil. Havia uma caixa cheia de discos de vinil logo em frente ao sebo que visitei na UFRJ. Era muito interessante e bonita.

Discos de vinil que, hoje em dia, estão sendo usados para decorar vários ambientes domésticos, bares e até lojas de roupa. O vendedor me interpelou perguntando se eu tinha, ainda, discos de vinil para vender para ele, em específico os de Rock nacional ou internacional. Ele me chamou a atenção para um fato interessante, no qual reproduzo suas palavras: “O vinil está voltando e a cantora Maria Gadú acabou de gravar um disco de vinil. É mais caro, mas está voltando com força.”

Caro leitor, o disco de vinil é muito mais que um suporte ou lugar que a informação (musical) se registra. O Vinil é um conceito!

Como assim um conceito? Uma tecnologia possui sempre um conceito por trás. Verificamos como, por exemplo, as marcas industrializadas procurando imprimir características para além da funcionalidade do artefato que vendem. Assim ocorrem com os aparelhos eletrônicos e há quem diga que a marca APPLE, antes de ser uma tecnologia, é um conceito. Muitas vezes o que a empresa consegue mais vender é seu conceito, posto que a tecnologia é algo corriqueiro no mundo dos Smartphones, por exemplo.

Os discos de vinil se tornam “velhos” conceitos a serem retomados por suas propriedades sonoras próprias e aparência externa o que confere a muitos ouvintes um deleite próprio.

Chamo os colegas de profissão arquivistas e amigos bibliotecários a “vendermos” nosso conceito porque, se pararmos para refletirmos, nesses tempos atuais em que os alunos tem muita distração e pouca concentração nos estudos, são urgentes para a sociedade os arquivos e bibliotecas como conceitos a serem retomados em sua real importância central.

A partir daí, minhas práticas na área de documentação nos arquivos e meu diálogo com bibliotecários me fez atentar que arquivos e bibliotecas são muito mais que tecnologias, mesmo que essa não seja uma ótica tão popular. Mas isto é tema de outro texto!

Como assim “conceitos a serem retomados”? O leitor vai me perguntar.

Muito mais do que tecnologia, o que mais importa é o conceito que está ligado à determinada tecnologia e que fará seu uso um bem social.  Portanto, num mundo em que a informação está presente nas “nuvens”, virtualmente está acessível a todos e que se cogita sobre a necessidade da existência de bibliotecas e arquivos nada melhor que apontarmos algumas nuances desses “velhos conceitos”, já que como “tecnologia” não vendemos tanto.

Bibliotecas

Bibliotecas como um espaço social , por exemplo, é uma ideia que tem de vir com toda a força nessa sociedade digital. Principalmente as que são localizadas em os espaços não “virtuais”, os espaços “concretos” das realidades de nossas instituições de ensino, universitárias ou não.

Num mundo contemporâneo, a nossa residência é um local de difícil concentração para os estudos. Sempre há opções que nos tiram a atenção: TV, computador, internet, alimentos, filhos, marido, mulher, mãe, pai, música alta do vizinho, entre outros. Nessa sociedade atual, sonho com o dia em que as pessoas irão valorizar mais os espaços das bibliotecas como o eterno local de estudo. Em uma biblioteca, temos uma meta a cumprir de estudos que procuramos concretizar e rendermos.

Então esse “velho’ conceito se torna, atualmente, como o disco de vinil – por suas propriedades sonoras particulares e físicas (aparência) – algo que tenha que ser incentivado pelas autoridades como um direito do cidadão a um ótimo local de estudo no qual aquele terá todas as possibilidades que uma boa concentração mental pode oferecer em termos de cumprimento de uma meta de estudos e aproveitamento cognitivo. Há outras características que o conceito de biblioteca evoca, mas prefiro comentar, agora, sobre os arquivos e deixar o leitor à vontade para me completar.

Arquivos

Um arquivo público é antes de tudo um local de pesquisa por fontes primárias. Mas você não necessariamente irá estudar só as fontes que consultar, vai fazer inter-relações com outros materiais que já estiver consultando podendo ser de fontes secundária. Portanto, um arquivo pode se converter num ambiente muito parecido ao de uma biblioteca. E a análise de uma fonte primária é algo que demanda muita concentração em um ambiente próprio.

Você pode se deparar com fontes secundárias, mas não é o tipo de documento mais volumoso em um arquivo público. Como local de estudo, portanto, é um ótimo conceito mas não supera o da biblioteca por esta ter uma noção atrelada à atividade de leitura em geral, até desinteressada, o ato de leitura em geral.

Num mundo em que os arquivos estão sendo eliminados indiscriminadamente, que ter um espaço para a racionalização documental é considerado “perda de espaço” para outras atividades consideradas mais importantes e em que a preservação e memória são assuntos desvalorizados, se torna interessante retomarmos a centralidade do conceito de arquivo público como espaço de consulta universal, de estudo, aprimoramento e direito do cidadão moderno de ter acesso às informações.

As pesquisas dos usuários em arquivos públicos podem ser objetivadas por demandas de pesquisa acadêmica ou mesmo desinteressada, por simples curiosidade ou exercício de leitura, ou à procura de informações que  lhes assegurem a percepção de algum tipo de direito.

Portanto, este breve artigo propositadamente é uma forma de chamar a atenção ao leitor e fazer-lhe a seguinte pergunta:  Por que, então, bibliotecas e arquivos também não podem ser retomados como uma boa ideia a ser “comprada” pelos nossos governantes e estudantes? Faço isso ao constatar que estes formidáveis espaços de leitura e estudo estão, cada vez, mais sucateados e desvalorizados.

Saudações arquivísticas e que venham os discos de vinil!

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