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RIO – Conhecido na Biblioteconomia como um dinossauro dos encontros acadêmicos, o bibliotecário formado pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), Alex Saraiva conversou com a equipe da Revista Biblioo sobre o seu primeiro livro A televisão como fonte de informação: um estudo da memória dos programas humorísticos da TV brasileira. Em uma conversa descontraída, Alex contou um pouco de sua vivência acadêmica e das motivações que o levou a escrever e publicar o livro com questões relacionadas aos programas humorísticos da TV brasileira.

Rodolfo Targino: Conte um pouco de sua trajetória acadêmica e profissional.

Alex Saraiva: Bom, eu posso dizer que minha carreira acadêmica começou quando eu estudava no CEFET-Química, atual Instituto Federal [de Educação] do Rio de Janeiro, onde cursava o ensino médio com habilitação em Química Industrial apesar de sempre gostar muito do ramo das Ciências Humanas. Na época consegui uma bolsa auxílio financeira que era oferecida para os alunos trabalharem durante um período de quatro horas em vários setores do colégio como laboratório de química, de física, de informática etc. E imagina logo onde fui escolher para trabalhar? Na biblioteca do CEFET-Química. Foi meu primeiro contato profissional com bibliotecas e posso dizer que minha estima pela área começou ali. Imagina um aluno de química aprendendo a CDU com aqueles símbolos todos para não guardar os livros fora do lugar e lidar com aquelas fichas catalográficas e tal, visto que na época a informatização em bibliotecas estava começando? Ao terminar o ensino médio decidi prestar vestibular para Biblioteconomia, pois ao pesquisar a grade do curso pude ver que havia muitas disciplinas voltadas para as ciências humanas, algo que sempre admirei muito. Durante a graduação fui bolsista de extensão sob a orientação do professor Marcos Miranda, à época diretor da Escola de Biblioteconomia da UNIRIO, durante dois anos com projetos de implantação e dinamização de bibliotecas comunitárias no Complexo da Maré, algo que com certeza ajudou muito e até hoje ajuda na minha formação profissional e pessoal. Algo que também sempre achei primordial foi a produção científica através da confecção de trabalhos discentes para apresentação em eventos estudantis e profissionais da área. Sempre escrevi trabalhos e artigos para submissão em eventos e revistas da área e acho de suma importância o acadêmico expor para fora da sala de aula o aprendizado na Academia. É só lembrar as três vertentes da universidade: ensino, pesquisa e extensão; não adianta o aluno ficar preso na sala de aula, estudando para prova de x, y ou z se ele não aplica o aprendizado no ramo da pesquisa ou da extensão universitária visando estar presente no seu futuro meio profissional. Até hoje quando encontro alunos do curso que vem conversar comigo, faço questão de abordar a importância na entrada em um projeto de iniciação científica, em um projeto de extensão ou grupo de pesquisa etc., pois com certeza a execução destas ações culminará com a formação de um profissional completo não só na área técnica, mas também na área pessoal, cultural e social. Durante a graduação tive a oportunidade também de realizar vários estágios onde aprendi muito sobre meu futuro meio profissional. Dentre eles destaco a Fundação Getúlio Vargas, SESC, COMLURB, e Ministério da Agricultura. No último ano da graduação fui chamado para trabalhar na primeira Biblioteca Parque do País, a Biblioteca Parque de Manguinhos [no Rio de Janeiro] na qualidade de Auxiliar de Biblioteca, assumindo o posto de Bibliotecário assim que terminei a graduação. Realmente foi uma experiência magnífica, pois o espaço visa abrir novos horizontes no conceito de biblioteca, desmistificando a ideia de que bibliotecas são apenas “espaços de pesquisa, leitura e guarda de livros, mas também podendo ser um excelente espaço de incentivo a leitura, cultura e lazer para a sociedade”. Atualmente estou cursando a graduação em Arquivologia na UNIRIO, pois como trabalho com pesquisa em memória da televisão, achei pertinente aprofundar os conhecimentos na área de estudos de arquivo e memória.

R. T.: Recentemente você escreveu um livro intitulado “A televisão como fonte de informação: um estudo da memória dos programas humorísticos da televisão brasileira”. Qual foi sua motivação e como surgiu a ideia de escrever o livro? Esse livro é fruto de alguma pesquisa sua durante a graduação?

A.S.: Desde criança sempre gostei de ver e rever passagens históricas do passado da televisão brasileira. Sempre gostei de assistir e fazer um paralelo com o presente e os campos da área de teledramaturgia, jornalística, esportiva, investigativa etc. Hoje com o advento da internet tudo fica mais fácil no que tange o acesso, tratamento, recuperação e disseminação dessas memórias televisivas. Quando fui fazer Trabalho de Conclusão de Curso queria inovar e abordar algum tema sobre memória da televisão brasileira o qual pudesse elencar a Biblioteconomia. Realmente nossa área é multi e interdisciplinar, a qual podemos fazer um estudo com várias cadeias do conhecimento humano. Meu orientador, o professor Luis Otávio Ferreira Barreto Leite, orientou-me a abordar sobre a memória dos programas humorísticos da TV brasileira, visto que minha ideia inicial era abordar a memória da televisão num todo, mas imagina abordar todas as vertentes e áreas televisivas desde setembro de 1950, na inauguração da televisão no Brasil? Realmente era um trabalho para um projeto de mestrado ou doutorado, com isso foi preciso um corte nessa pesquisa, e o humor foi o tema escolhido. Ao fim da defesa do TCC achei pertinente acrescentar algum conteúdo à pesquisa final e com isso consegui com muito esforço a tão sonhada publicação de uma obra sobre a memória do humor na televisão brasileira, mostrando a importância do profissional da informação no tratamento e manuseio das fontes de informação.

R. T.: O seu livro aborda o papel da televisão como fonte de informação com foco voltado na memória dos programas de humor da TV brasileira. Como você avalia os programas humorísticos atuais da TV brasileira?

A. S.: Realmente os humorísticos na televisão brasileira atual são bem diferentes daqueles que tiveram seu auge nos anos 70 e 80. Sinto falta dos grandes ícones do humor nacional que infelizmente se foram, porém novos talentos estão despontando na mídia e tem tudo para fazer na história na televisão brasileira. Prefiro ser imparcial no comentário, sem abordar exemplos específicos de programas, porém acredito que o modo de abordarem os esquetes, sátiras e o próprio burlesco, deixam muito a desejar em relação aos programas tradicionais da TV no Brasil. Ainda acho que o improviso, as abordagens ao vivo, nada “de combinar’, ainda é a grande chave para o sucesso do humor.

R. T.: Na história da TV brasileira temos programas humorísticos que atravessam gerações com o mesmo formato. Um exemplo disso é o programa do Chaves. A que você atribui a longevidade desse seriado na programação do SBT?

A. S.: Com certeza a simplicidade na comicidade, a não apelação em temas adultos, o humor inocente e, como já mencionei, o improviso. O programa do Chaves começou em 1973 com parcos recursos. Segundo já disse em várias entrevistas o ator e protagonista do personagem, Roberto Gomes Bolaños. Cenários de isopor e papelão que no início eram usados por falta de recursos, posteriormente foram mantidos por pedido do próprio público, dando assim um tom mais cômico. O programa já sofreu muitas críticas inclusive de alguns funcionários e executivos do SBT que classificavam o programa “impróprio para menores de dez anos”. Em outros países achavam a atração “alienante” e enfatizavam a “violência explícita”. Porém, a série apresenta situações universais na qual todos podem se identificar independente do nível cultural, de raça, credo, nacionalidade etc. Uma excelente opinião sobre o Chaves advém da ilustre escritora brasileira Ruth Rocha que afirmou que  “o melhor programa infantil é o Chaves, pode ser pobre, feio, mas quem escreve aquilo é inteligente. Chaves é circense. As crianças se identificam com os diálogos, com os trocadilhos, com as cenas de pastelão e com o personagem-título, que se comporta exatamente como elas. É uma atração simples e divertida, que não faz mal a ninguém.” O próprio Bolaños respondeu às críticas de violência e alienação dizendo que  “o programa não é dirigido ao público infantil, é claro que existem crianças que procuram esses programas, pois há um núcleo que as crianças se identificam. É uma falta de senso crítico esses adultos que pensam que os humorísticos não são para crianças e preferem sintonizar apenas nos educativos”. Em outras palavras, um programa que está a 41 anos no ar, a 30 no Brasil, depois de sofrer tantas críticas e, sobretudo, elogios da mídia brasileira e mundial e ser assistido por um público infantil, infanto-juvenil, adulto e terceira idade, tem na simplicidade a receita do sucesso e longevidade na mídia mundial

R. T.: Durante a sua pesquisa para confecção do livro, você se deparou com a memória da TV brasileira de alguma forma. Qual a relação que você faz entre a sua obra e a área de Biblioteconomia?

A. S.: Essa foi uma pergunta que muito respondi para as pessoas que vinham indagar-me, pois muitas delas achavam que tal relação poderia não existir. A meu ver, a relação da minha obra com a Biblioteconomia como área interdisciplinar, reside no fato que a televisão é uma fonte de informação; no livro que publiquei possui um capítulo específico sobre fontes de informação, com definições e exemplos de diversos autores e sob várias vertentes. E fonte de informação nada mais é do que um campo de estudo dos profissionais da informação, logo da Biblioteconomia.

R. T.: Como bibliotecário e escritor, qual avaliação você faz do mercado editorial brasileiro?

A. S.: Acredito que em relação aos livros “tecnicistas” o mercado editorial ainda precisa (e acredito que vai) expandir-se mais. Por outro lado, em relação aos livros usuais, os que estão na mídia, o mercado encontram-se muito bom. Algo de suma importância são algumas editoras que atualmente vendem livros sob demanda, pois muitas vezes elas não cobram pela edição, diagramação e confecção das obras, dando oportunidade para novos talentos despontarem no mercado editorial sem custos iniciais.

R. T.: Para finalizar, o seu livro já está disponível em alguma livraria?

A. S.: Atualmente a obra é encontrada no site da editora Multifoco (www.editoramultifoco.com.br), no site da livraria Travessa (www.travessa.com.br), ou diretamente comigo com pedidos através do email bibliotecario1981@gmail.com.

Título: A televisão como fonte de informação: um estudo da memória dos programas humorísticos da TV Brasileira
Autor: Alex Saraiva
Páginas: 78
Ano de edição: 2013
Edição: 1ª

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Comentários

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1 Comentário

  1. danielle silva
    21 de maio de 2014 a 18:45 —

    amei a matéria, particularmente conheço o Alex e ja quero comprar o livro.

    muito sucesso a esse grande colega.

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