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Há muitos anos venho tomando conhecimento sobre projetos e discussões que visam resolver problemas vinculados à inexistência de bibliotecas públicas nos municípios brasileiros. Contudo, os avanços nesse sentido ainda ocorrem de forma isolada e sem efetivo acompanhamento.

A situação, porém, tem se tornado mais delicada tendo em vista que no momento, muito além de lutarmos para que se construam bibliotecas públicas no Brasil, faz-se necessário atentarmos para a manutenção dos espaços existentes, problema que vem sendo ignorado por algumas das administrações públicas que permitem com que este tipo de equipamento cultural feche suas portas, deixando que populações inteiras sigam sem serviços básicos de acesso à leitura e ao ambiente cultural que deve ser inerente às bibliotecas públicas.

Foi em vias de situação como essa que em 2012, na cidade de Manaus, foi iniciada uma luta em prol da Biblioteca Pública do Estado do Amazonas, fechada por mais de cinco anos. Desse período em diante, outras cidades passaram a adotar medidas reivindicatórias vendo nas práticas de resistência uma saída para a não acomodação diante das perdas de espaços e serviços. Isso aconteceu no Rio de Janeiro, com a Biblioteca Parque Estadual, que após quase cinco anos fechada, quando reaberta passou a sofrer retaliações com redução de horários e serviços. Também em João Pessoa, na Paraíba, um grupo de bibliotecários deu inicio a uma mobilização que justifica a necessidade da construção de uma biblioteca pública municipal, até então inexistente na capital de um estado brasileiro.

O objetivo dessas linhas, porém, é apresentar o que esta sendo realizado em Custódia, pequena cidade localizada a 335 quilômetros de Recife, Pernambuco, no nordeste do Brasil. A cidade está com sua biblioteca pública fechada há quase cinco anos, contudo, vários de seus cidadãos têm se importado com o problema e de forma organizada têm se manifestado em busca de respostas e resultados.

Movimento Abre Biblioteca Custódia

Utilizando a imagem visual do Movimento Abre Biblioteca, criado em Manaus pelo Bibliotecário Thiago Giordano Siqueira, com adaptações próprias para a sua realidade, Leônia Pinto Simões, moradora do Recife e Custodiense por nascimento e de coração, deu início em julho de 2015 a luta pela reabertura da Biblioteca Pública Professora Zenilda Pereira Simões Burgos, fechada para reforma em 2010.

Leônia Simões (de listrado) e o grupo de apoio ao Abre Biblioteca Custódia durante o Fórum Pernambucano em Defesa das Bibliotecas, Livro, Leitura e Literatura.
Leônia Simões (de listrado) e o Fórum Pernambucano em Defesa das Bibliotecas, Livro, Leitura e Literatura, grupo de apoio ao Abre Biblioteca Custódia durante o I Seminário de Bibliotecas Vivas e Comunidades – Criando Espaços de Cidadania Ativa, promovido pela Prefeitura de Recife-PE

Sabendo da minha relação com o Movimento Abre Biblioteca em Manaus, um dia Leônia pediu ajuda e de nossa troca de e-mails me colocou a par da situação da biblioteca pública de sua cidade que, segundo suas próprias palavras, “já vinha funcionando em condições precárias até que o imóvel foi desocupado, dizem que para reforma. No entanto, foi utilizado para outras funções.”

Leônia escreveu um grande e-mail que foi reproduzido nas redes sociais e também no blog Caçadores de Bibliotecas e na Revista Biblioo, aonde apontava, entre outras coisas, a necessidade da reivindicação do espaço da biblioteca, em vista das perdas que os Custodienses estavam sofrendo. Visando sensibilizar a população, criou uma petição pública aonde destaca:

“A Biblioteca Professora Zenilda Simões de Oliveira Burgos, fechada há quase cinco anos, não era uma grande biblioteca, nem a mais sofisticada, mas era a porta de acesso à informação e ao conhecimento. O fechamento desse espaço cultural provocou grandes perdas para os estudantes, para os professores e a população de um modo geral”.

Além dessa providência, ela estabeleceu comunicação com representantes do Sistema de Bibliotecas Públicas de Pernambuco – SBPE (responsável pelo atendimento das bibliotecas nos municípios) e, entre outras coisas, foi convidada a participar do Fórum Pernambucano em Defesa das Bibliotecas, Livro, Leitura e Literatura.

Leônia, que tem formação em Ciências Biológicas, é funcionária do estado e Gestora de Recursos Humanos, mas para além de seu currículo é uma cidadã que sabe da importância do acesso ao livro e dos espaços de cultura para a formação de um povo. Ela por sinal usa sempre dados oriundos do Manifesto da UNESCO para Bibliotecas Públicas, para justificar seus argumentos em prol da Biblioteca de Custódia.

Dessa forma, ela tem conseguido sensibilizar a população nas redes sociais e em reuniões presenciais com a proposta de se pensar o espaço de biblioteca pública como uma necessidade de democracia informacional e cultural. Abaixo algumas de suas palavras:

“Então, essa é a hora! Vamos abrir a Biblioteca Pública de Custódia.
Para isso, é importante que a prefeitura retome o prédio, localize o acervo; faça novas aquisições de livros de interesse do público alvo, aquisição de computadores; disponibilize o acesso gratuito à internet, cursos e treinamentos para os profissionais e tudo que é necessário ao seu pleno atendimento. Lembrando que, esse lugar deve ser agradável e acolhedor para as crianças, para os jovens custodienses e leitores de todas as idades”.

O Movimento Abre Biblioteca Custódia está crescendo e uma série de ações está sendo planejada objetivando o fortalecimento da causa. Uma das ideias surgidas foi FlashMOB-ABRE BIBLIOTECA, previsto para ocorrer em janeiro de 2016, com a participação da juventude.

Jovens participam de um sarau em prol da Biblioteca Pública de Custódia, na casa de Daniel Marinho.
Jovens discutem ações que serão implementadas em prol da Biblioteca Pública de Custódia

Não é possível deixar de referendar o quão é relevante à participação da juventude em lutas dessa natureza, haja vista estarem profundamente relacionadas às conquistas de espaços e oportunidades, bem como o fato de ser um excelente exercício político no ambiente de sua cidade.

Quanto à participação do pessoal da Biblioteconomia no Movimento Abre Biblioteca Custódia, me sinto feliz de apontar que há. Em setembro de 2015 a estudante do curso de Biblioteconomia da Universidade Federal de Pernambuco, Daiane Rebelo, passou a contribuir com a causa e há outros envolvidos. Contudo, destaco essa menina por que sei o quanto é apaixonada pelo que faz e realiza um belo trabalho em ações de incentivo à leitura no Recife por meio do projeto Livre-se!

No momento não estou no Brasil, mas quero, mesmo que de longe, contribuir com a causa e concluo essas linhas parabenizando todos àqueles que,em meio as suas vidas atribuladas,param para refletir sobre o seu papel frente às decisões políticas no ambiente em que estão inseridos. Creio que se todos nós fizermos dessa forma, teremos muito mais justiça social em nosso país.

Peço aos colegas bibliotecários que contribuam assinando a petição que clama pela defesa de uma biblioteca pública.

Links

Caçadores de Bibliotecas: https://goo.gl/nD2akY

Petição: https://goo.gl/b5lbE6

Livre-se: https://goo.gl/UzMQcK

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Comentários

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2 Comentários

  1. 24 de novembro de 2015 a 13:23 —

    Parabéns pela matéria, Soraia Magalhães!!! Nós que fazemos parte do Colegiado de Gestão do Fórum Pernambucano em Defesa das Bibliotecas, Livro, Leitura e Literatura – FPEBLLL, temos acompanhado e ajudado a querida Leônia nessa luta, que é justíssima, é nossa e é de todo cidadão que tem direito de ter equipamentos culturais funcionando e oferecendo serviços, ações e atuando conjuntamente com as comunidades por um Brasil de Leitores!

    Sigamos porque a luta continua!!!

    • 24 de novembro de 2015 a 19:06 —

      Obrigada Gilvanedja, fico feliz por saber que a Leônia tem recebido apoio e que juntos vocês poderão fazer a diferença! Forte abraço!

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