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A mão que passa um pano para Elizabeth Bishop, foi a mesma que abraçou o Minsitério da Cultura (MinC) na sua dissolução? Vejam, eu não me refiro a indivíduos ou mesmo a grupos, mas a uma certa potência política.

A questão ultrapassa em muito à homenagem a escritores de direita e empastelamento de órgãos públicos, tem mais a ver com coerência política.

A família Bolsonaro, os ministros Guedes e Weintraub, da Economia e da Educação, respectivamente, fazem apologia à ditadura militar e um festival literário não se acanha em homenagear uma simpatizante do golpe de 1964?

Significa urgência de homenagear a ilustre conservadora na política, com pedigree de excelência nas letras, ou é adesismo à onda no poder? Voluntarismo ou polêmica, em ambos os casos, o contraditório é essencial.

Eu quero ver é como que libertários, libertinos e liberais vão sair por aí glosando a liberdade estética e abraçando prédios, em meio a uma ditadura legitimada por omissões, nem nens e esteticismos.

A arte não deve estar atrelada à política, mas ao esquecê-la tende a ser suprimida ou manipulada por omissão. As observações políticas “meramente pessoais” de Elizabeth Bishop não interferem na sua obra?

A pretensa taxionomia estético ideológica da frase ignora que o apoio de uma escritora a um ato violento na política (golpe de estado, instauração de ditadura etc.) impacta na vida de todas pessoas do lugar em que ela vive.

Ah, ela era apenas uma anticomunista, uma mulher de sua época? Ok, o anticomunismo e a farsa que ele representa provocam ainda hoje fenômenos como Bolsonaro, por exemplo, não é nada inocente.

Até a Festa Literária de Internacional de Paraty (que escolheu Bishop como homenageada da edição 2020) e suas escolhas, um desfile blasé de literatos, que no geral  não me importa tanto, passa a ser importante nesse momento.

Uma escolha insidiosa que parece prever as consequentes polêmicas, para que seja usado automaticamente o contra-argumento farsesco da censura e da polarização. Se posicionar com relação à indicação de Bishop, significa não deixar de ler seu trabalho, mas lê-lo com todas as letras.

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