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Yun Shu vivia na província de Sichuan, próximo ao rio Minjiang. Tendo perdido mulher e filhos ainda na juventude, acostumou-se com sua solidão e modo de vida taciturno. Todas as manhãs, Yun Shu levantava, trabalhava na horta, cortava lenha na floresta e, ao final do dia, sentava-se diante da fogueira para tocar a sua flauta.

Foram anos de quietude até que, certa vez, a preciosa flauta de Yun Shu sumiu. Ele a procurou por todos os lugares, vasculhando sua casa e até mesmo a floresta. Foi às margens do rio e nada encontrou. Amargurado, Yun Shu começou a suspeitar que alguém teria levado a sua flauta.

“Quem sabe foi a mulher que mora do lado norte, que costuma vagar tarde da noite pela floresta escura e retorna para casa com cogumelos e ervas. Possivelmente, para fazer bruxarias e coisas do tipo. Ela deve ter visto o meu grande apego ao instrumento e decidiu enfeitiça-lo”.

Não satisfeito, Yun Shu também envenenou o seu coração contra o velho morador do rio. “Eu vi quando o velho encontrou a faca preferida do moleiro e a guardou na pequena bolsa que carrega na cintura. Só pode ter sido ele”.

As memórias de Yun Shu o fizeram se lembrar do filho mais novo de seu vizinho, que costumava vagar sem destino enquanto todos os outros trabalhavam. “Ele anda, se veste e fala como um ladrão”, pensava Yun Shu.

Perdido em suas suspeitas, o homem amargurado saiu para caminhar enquanto pensava em modos de abordar os seus três suspeitos. Quando estava atravessando as margens do rio, notou um objeto descansando na pedra. Ao olhar com atenção, percebeu que se tratava de sua flauta. Foi então que a imagem voltou à sua mente: ele a havia esquecido lá.

Arrependido, Yun Shu sentiu vergonha de ter deixado a maldade e o falso testemunho tomarem conta de sua alma e decidiu observar com atenção a mulher do lado norte, o velho morador das proximidades do rio e o filho de seu vizinho.

Sem o peso da dúvida, Yun Shu pôde ver. Ele descobriu que a mulher vagava pela floresta tarde da noite, colocando a sua vida em risco, para fazer remédios para os moradores do vilarejo que não tinham como pagar por assistência. O velho do rio costumava encontrar todo tipo de objeto, inclusive peças de ouro e prata, e guardava para devolver em mãos aos donos. Só descansava quando finalizava o seu intento. E o filho mais moço do vizinho era cego, e caminhava sem destino para sentir a luz do sol e o calor em sua pele.

Yun Shu aprendeu que nunca se pode julgar ou fazer qualquer juízo de valor quando o coração e a alma estão nublados e negativos. É preciso ver e observar, calando até mesmo os pensamentos para que não cometam perjúrios.

*Coautoria de Mara Vanessa Torres

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