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Por NINJA.

Após retirada de imagem de casal indígena do ar, pasta entra com processo judicial e ministro pede “respeito a diversidade cultural e à legislação brasileira”.

Foto de indígenas botocudos censurada pelo Facebook, de Walter Garbe.
Foto de indígenas botocudos censurada pelo Facebook, de Walter Garbe.

O sistema de censura embutido no Facebook, conhecido dos usuários por permitir a exclusão de conteúdos ditos ‘impróprios’ sem qualquer aviso prévio, fez mais uma vítima. Dessa vez foi a foto do casal de índios Botocudos, retratados nos anos 1909 por Walter Gabe, no Espírito Santo.

A imagem, postada pela página do Ministério da Cultura, é fruto de uma parceria com o Instituto Moreira Salles, que lançou essa semana o projeto Brasiliana Fotográfica, um portal com mais de duas mil fotos históricas raras do século XIX e XX.

“Se os índios não podem aparecer como são, o recado que fica é que precisam se travestir de não indígenas para serem reconhecidos. Isso é de uma crueldade sem fim” afirmou durante coletiva de imprensa o Ministro da Cultura, Juca Ferreira.

A travesti Verônica. O que exatamente é impróprio na realidade brasileira? Foto: Autoria desconhecida
A travesti Verônica. O que exatamente é impróprio na realidade brasileira? Foto: Autoria desconhecida

A prática de derrubada de conteúdo tem se tornado cada vez comum a partir da ‘denúncia’ por grupos conservadores na rede. Nessa mesma semana, imagens da travesti Verônica com os seios expostos e agredida ferozmente pela Polícia Militar foram retiradas do ar de diversas páginas, como a da rede Jornalistas Livres.  Verônica surgiu acorrentada pelos pés, os braços algemados nas costas, imobilizada, jogada no chão, como um animal no abatedouro. Para a legislação e os bons costumes do Facebook, entretanto, seus seios expostos eram o verdadeiro problema.

Luta indígena e a luta pela internet livre no Brasil

O embate entre o Ministério e o Facebook ocorre durante a Mobilização Nacional Indígena, quando mais de 2 mil lideranças de diversos povos se reúnem em Brasília para protestar seus direitos, e contra a aprovação da PEC 215, legislação que, se aprovada, passará para o pior legislativo desde 1964 o poder de demarcar – ou não – as terras indígenas.

Foto: Roberto Stuckert Filho/ PR
Foto: Roberto Stuckert Filho/ PR

A medida também contesta a aproximação da presidenta Dilma com o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, reunidos há alguns dias atrás para o planejamento de ações ligadas à internet brasileira.

Em artigo publicado em seu blog, o pesquisador Sérgio Amadeu define Por que acordo Dilma-Zuckerberg é perigoso,  já que o compromisso pode violar o Marco Civil da Internet e reforçar o plano do Facebook de reduzir a internet a um espaço privado, sob controle e vigilância permanentes.

 “Temos que preservar a internet como um espaço público. Essas corporações globais operam na internet tentando monopolizar o espaço, sem transparência nenhuma, desrespeitando as expressões culturais, a diversidade e a legislação brasileira. Vamos abrir uma ação civil pública e contestar em todos os Fóruns Internacionais esse pretexto direito do Facebook de censurar o Estado nacional brasileiro.” concluiu Ferreira.

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