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O desenvolvimento das tecnologias possibilitou o surgimento dos livros eletrônicos, também chamados de e-books. Mas e o que são os e-books? O dicionário Online Dictionary for Library and Information Science (ODLIS) dá a seguinte definição ao verbete: “Um livro criado ou digitado em um computador, ou convertido do impresso para digital (legível por máquina), por meio da digitalização ou de algum outro processo, para exibição em uma tela de computador”.

Alguns estudiosos consideram essa tecnologia contemporânea como uma revolução do livro. Existe quem defenda que o Memex (proposta de interligação dos documentos idealizada por Vannevar Bush, na década de quarenta) seja o precursor dos livros eletrônicos e outros que reconhecem o projeto Memex nas funcionalidades dos dispositivos de leitura.

E como surgiu o e-book? Alan Kay desenvolveu o Dynabook, um tipo de computador portátil, no final da década de sessenta. Vinte anos depois foi lançado o primeiro e-reader, dispositivo móvel dedicado à leitura, o Rocket eBook, posteriormente renomeado SoftBook Reader. Porém, foi a chegada do dispositivo de leitura Kindle, da empresa Amazon, em 2007, que popularizou este tipo de livro.

A partir desse momento os livros eletrônicos ganharam destaque pelo mundo, e surgiram outros dispositivos de leitura como o SonyReader, da Sony; o Nook, da Barners & Noble; e o Kobo, produzido pela empresa de mesmo nome. Outro equipamento que impulsionou a propagação dos livros eletrônicos foi o primeiro tablet do mercado, o iPad, lançado pela empresa Apple, em 2010.

Em seguida, outros tablets foram lançados por diferentes empresas. Nos dias atuais, os smartphones são muito utilizados para a leitura de e-books, além dos e-readers e tablets. Como forma ilustrativa, é interessante reproduzir o quadro desenvolvido por Liliana Serra (2017), em que é apresentado um resumo das gerações dos e-books:

Quadro 1: Gerações de livros digitais

Fonte: SERRA, L. G. Bibliotecas e livros digitais: breve história e novos desafios. In: RIBEIRO, A. C. M. L.; FERREIRA, P. C. G. (Orgs.). Biblioteca do século XXI: desafios e perspectivas. Brasília: IPEA, 2017. (p. 228)

Os livros eletrônicos apresentam diversas funcionalidades próprias, tais como: marcadores de páginas, anotações e destaques no texto, busca por palavras e hiperlinks, que remetem a outros conteúdos. Esses recursos buscam facilitar a leitura e torná-la mais atrativa e prazerosa aos leitores.

Uma questão delicada que envolve os e-books é a ausência de padronização nos formatos, sendo os mais comuns oferecidos pelo mercado: .mobi, .azm, .epub e .pdf. Os dois primeiros só são legíveis no Kindle, ou no aplicativo disponibilizado gratuitamente, pela Amazon.

Os dois últimos são os mais recorrentes, sendo que o PDF possui um layout padrão e não permite alterações no texto. O EPUB já é um formato internacional que possibilita mudanças no texto, como o ajuste da fonte. Essa variedade de formatos provoca uma confusão no seu uso e cria dificuldades para a formação de coleções de e-books.

Os livros eletrônicos possuem licenças de uso, que são esquemas de criptografias com políticas variadas de acordo com as imposições das editoras. Destacam-se a Copyleft (permissão para cópia de programas de computador), a Digital Right Management – DRM (proteção contra cópias ilegais e distribuição a terceiros) e a Creative Commons (permissão para o acesso livre aos textos). Dessa forma, o uso dos e-books é condicionado ao contrato celebrado entre seus fornecedores e os seus clientes.

Uma peculiaridade dos livros eletrônicos que pode ser destacada é a possibilidade de inserção de hiperlinks de acesso a dicionários e outros textos no momento da leitura. Entretanto poucas áreas do conhecimento utilizam esse recurso.

As vantagens desse suporte são: e-books não são perdidos, entregues com atrasos ou danificados; não ocupam espaço físico para serem guardados na estante, havendo aumento do acervo sem problemas com espaço físico; não impedem anotações; possibilidade de aumento da fonte, controle do brilho da tela e demais ajustes de acordo com a preferência do leitor.

Modelos de negócio

No Brasil, os modelos de negócio para aquisição de e-books são basicamente dois: aquisição perpétua e assinatura. O primeiro modelo é o que mais se assemelha com a aquisição do livro impresso, em que o exemplar adquirido integra o acervo da biblioteca, como patrimônio da instituição, não havendo suspensão no acesso. Assim como ocorre com o livro físico, neste modelo, de um modo em geral, não há atualização do exemplar adquirido por edições posteriores sendo necessário comprar a edição mais recente.

No caso da assinatura, ocorre a substituição da edição mais recente do título na plataforma de acesso aos livros eletrônicos. Este modelo de negócio é baseado em contrato com vigência por determinado período, em geral um ano, e a biblioteca tem que renová-la para manter a oferta da coleção de e-books a seus usuários. Nesse caso, os fornecedores oferecem as permissões de uso, não vendem os títulos.

Essas permissões com alicerce nas licenças de uso (baseadas nos direitos autorais) possuem acessos variados. Algumas permitem o acesso simultâneo ilimitado, conhecido como multiusuário, e outras oferecem o acesso monousuário, em que a leitura é restrita a uma pessoa por vez.

Nesta modalidade, quando o título está emprestado existe a opção de reserva de livro, assim como ocorre com o livro impresso. Essa funcionalidade é oferecida, por grande parte dos fornecedores, cabendo à biblioteca ativar essa opção. Algumas editoras oferecem ainda uma terceira opção, em que possibilita o acesso ao e-book por três usuários simultaneamente.

Uma desvantagem do modelo de assinatura é que a biblioteca fica refém das editoras que escolhem os títulos que compõem a coleção assinada: as editoras determinam a inclusão, a permanência ou a retirada de títulos da coleção, bem como a substituição de títulos, na maioria das vezes sem aviso prévio.

Existe uma resistência na adoção do modelo de assinatura em muitas instituições públicas, uma vez que os livros são considerados patrimônios da instituição por meio de processos licitatórios, que é o caso de grande parte das bibliotecas universitárias públicas brasileiras.

Independente do modelo de negócio escolhido pelas bibliotecas universitárias, o acesso ideal aos livros eletrônicos, para atendimento da demanda dos usuários, é o multiusuário que, em geral, possui valor superior ao do livro físico.

Os e-books ainda não foram adotados de forma expressiva pelas bibliotecas universitárias brasileiras, embora esse movimento seja crescente. No momento atual, as bibliotecas buscam potencializar o acesso aos títulos já disponibilizados tornando a coleção mais eficaz, fortalecendo a intenção de crescimento do acervo dos livros eletrônicos dos responsáveis pelos setores de aquisição e desenvolvimento de coleções e justificando o aumento dessa coleção eletrônica junto aos pares que disponibilizam as verbas às bibliotecas.

Muitas instituições de ensino públicas e privadas possuem coleções de e-books e oferecem o acesso a seus usuários, porém algumas barreiras dificultam a consolidação do uso dos livros eletrônicos, como: a baixa oferta de títulos em português, poucos fornecedores desse tipo de documento, os altos preços dos dispositivos de leitura, a variedade de formatos e o desconhecimento de possibilidades de utilização.

A inserção de uma coleção de e-books no acervo de uma biblioteca universitária é fundamental, já que as alternativas de acesso à informação são ampliadas. As bibliotecas universitárias mantêm-se atuantes, com um processo de comunicação ativo perante os seus usuários, atingindo diretamente àqueles que pertencem à geração digital.

Cenário da coleção de e-books na UFRJ

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) é uma importante instituição no Brasil e foi escolhida para exemplificar o cenário dos livros eletrônicos nas bibliotecas universitárias brasileiras.

Em 2017, o Ranking Universitário Folha (RUF), do jornal Folha de São Paulo, classificou a UFRJ em primeiro lugar, pelo segundo ano consecutivo, permanecendo como a instituição brasileira líder “a partir de indicadores de pesquisa, ensino, mercado, internacionalização e inovação”.

O Sistema de Bibliotecas e Informação – SIBI da UFRJ, que iniciou a aquisição de e-books para o sistema de bibliotecas da UFRJ, em 2007, possui os seguintes critérios para aquisição de livros eletrônicos: atendimento às demandas reais da instituição, disponibilidade para todos os IPs da UFRJ, acesso simultâneo ilimitado, acordo de preservação digital definido na proposta de compra com fornecimento de termo de garantia, disponibilidade de metadados e aquisição em caráter perpétuo.

Tendo em vista que o livro é material permanente, a Procuradoria da Universidade não permite o modelo de assinatura. O acesso à coleção de e-books da universidade ocorre via Proxy, por meio do login da intranet da UFRJ. O SIBI adquiriu o acesso perpétuo às plataformas das editoras Wiley, Springer, Cambridge, IEEE, EbookCentral (antiga Ebrary), Taylor & Francis e Atheneu, sendo esta última restrita à área da saúde. A língua predominante dos títulos é o inglês.

No documento “SIBI em números” disponibilizado no site da instituição é possível conhecer o número de títulos e de acessos. Ressalta-se que o Sistema contabilizou um aumento gradativo na coleção desse tipo de material: em 2014 a UFRJ possuía 27.702 títulos; em 2015, 27.770; em 2016, 29.151 e em 2017 a coleção estava contava por 29.490 títulos.

Com relação aos acessos, pode-se observar que o livro eletrônico é utilizado por sua comunidade, podendo haver um aumento no quantitativo de consultas. Percebe-se que as bibliotecas universitárias brasileiras ainda possuem uma longa caminhada no que diz respeito à inserção de coleção de livros eletrônicos e que ainda existem inevitáveis barreiras a serem superadas pelos seus bibliotecários.

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