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Por Tiago Cisneiros, de Livro Leve Solto.

André Arribas começa a chamar a atenção com sua biblioteca-livraria. Foto: Ana Lúcia/Divulgação
André Arribas começa a chamar a atenção com sua biblioteca-livraria. Foto: Ana Lúcia/Divulgação

Literatura enche barriga? E papelão? E bicicleta? Se você acha que não, troque uma ideia com André Arribas. Há seis meses, esse recifense de 27 anos uniu três das suas paixões – poesia, sustentabilidade e ciclismo – e criou o Pé de Letra. No projeto, que é tocado por conta própria e começa a ganhar espaço na cena sociocultural pernambucana, André edita livros com material reciclado e vende-os de forma ambulante, montado na sua “magrela”.

Formado em história, André acabou construindo uma carreira diversificada, incluindo um emprego em livraria e um comércio próprio de bicicletas. Essas duas experiências, aparentemente tão distantes, fundiram-se no primeiro semestre de 2014. “Quando fechei a loja, depois de algumas dificuldades, decidi colocar o projeto do Pé de Letra para a frente, tentando mesclar justamente a bicicleta com os livros e a sustentabilidade”, explica.

Entre os diferenciais do projeto, está a proposta de editar apenas obras ecologicamente corretas. “Sempre fui de poupar as coisas, nunca gostei de desperdiçar. Então, na última Bienal do Livro de Pernambuco, participei de uma oficina de confecção de livros com material reciclado, como papelão, e me apaixonei pela ideia”, lembra André. Durante a própria atividade, ele desistiu de procurar uma editora para publicar seus poemas. “No dia seguinte, eu já tinha o meu primeiro livro, feito por mim mesmo”, conta, estimando em 30 minutos o tempo de produção de cada exemplar.

De lá para cá, André editou quatro livros próprios, todos de poesia: O Quinze Intermitente,SentidosAssobios Entre Copas. Mas, em breve, no dia 23 de outubro, ele dará um novo passo na história do Pé de Letra, com o lançamento da primeira obra encomendada por outro autor. Trata-se de Confissões, estreia literária do também recifense Eduardo Vieira, de 25 anos. “Felizmente, muita gente está me procurando. Depois desse de Vieira – que tem uma tiragem inicial grande, de 300 exemplares -, já tenho outros dois bons trabalhos na agulha”, comemora o livreiro-ciclista.

Confecção artesanal do livro “Confissões”, de Eduardo Vieira
Confecção artesanal do livro “Confissões”, de Eduardo Vieira

O detalhe na edição dos livros é a possibilidade de os autores (e, eventualmente, até leitores) colocarem a mão na massa. Ou na tinta. “Tudo aquilo de que a gente participa diretamente fica um pouco com a nossa cara. Se o escritor ou quem quer que seja ajuda a confeccionar, o livro ganha uma energia diferente, torna-se mais sensitivo, até pelo fato de cada exemplar artesanal ser diferente do outro”, explica André.

Ruas e praças

Dedicando-se integralmente ao Pé de Letras, André Arribas divide seu tempo entre o ateliê, onde realiza o trabalho de edição, e as ruas. “Costumo sair mais com a bicicleta entre a sexta-feira e o domingo. Não tenho um ponto fixo. Posso ir para a Praça de Casa Forte, para o Parque Santana, para a Jaqueira, para eventos de literatura, para protestos… O importante é ter gente, ocupação de espaços”, conta.

Segundo o empreendedor, o critério de buscar aglomerações não tem fins exclusivamente comerciais. Mais do que o lucro com as vendas, André diz que preza pelo contato direto com os possíveis leitores e consumidores. “Gosto das conversas olho no olho, de dar oficinas ligadas a sustentabilidade, de incentivar crianças e adultos a realizarem um trabalho artístico. Essa é a forma em que eu materializei a poesia que sempre procurei.”

Serviço

Pé de Letra no Facebook: https://www.facebook.com/pedeletra.

E-mail: [email protected]

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