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RIO – O professor do curso de Biblioteconomia da Universidade Federal do Ceará, Campus Cariri e colunista da Revista Biblioo, Jonathas Luiz Carvalho da Silva, fala sobre o desafio de ser professor no Brasil, além pontos envolvendo questões de identidade da Biblioteconomia nacional que abordou em seu novo livro intitulado: Uma análise sobre a identidade da Biblioteconomia: perspectivas históricas e objetos de estudo, lançado no ano passado. Na entrevista realizada nas dependências da Biblioteca Centro de Educação e Humanidades (CEH) da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Carvalho traçou um panorama das bibliotecas escolares e ainda revelou dificuldades e particularidades do recente curso de Biblioteconomia do Campus Cariri. Na verdade essa é apenas uma parte da entrevista concedida pelo professor, uma vez que o restante será disponibilizada em breve em vídeo na TV Biblioo, na série de entrevistas com os nossos colunistas.

Chico de Paula: Jonathan, a primeira curiosidade é o fato de você ser bastante jovem e professor. O que te levou a escolher a profissão, sobretudo no curso de Biblioteconomia?
Jonathas Carvalho: Primeiramente é um prazer estar aqui com vocês. Ser professor para mim sempre foi um desafio, normalmente quando me fazem essa pergunta: o que me estimulou a ser professor? Sempre fui muito comunicativo, desde os dez, onze anos de idade me via sendo professor. Até brincava com os professores porque eles perguntavam para mim o que eu queria ser, eu dizia professor. Eles diziam para mim: “professor!”. “Queira não, queira outra coisa para sua vida”. Aquela ideia de desmoralização mesmo da imagem do professor. Ser professor para mim, sempre foi um desafio, porque sempre vi que a educação brasileira é uma educação marginalizada, o meu propósito enquanto tal seria de auxiliar na transformação desse processo. Se tornar professor para mim não é apenas a realização de um sonho é a concretização de uma necessidade que eu sentia.

C. P: Em relação à realidade de onde você vive e trabalha do ponto de vista da formação e do curso de Biblioteconomia em si, onde você trabalha e leciona, e a realidade dos profissionais, como que é?
J. C.: Vamos por partes. O curso de Biblioteconomia da Universidade Federal do Ceará (UFC), Campus Cariri foi criado a partir de Projeto Político Pedagógico (PPP), que hoje se chama Projeto Pedagógico Curricular (PPC), a partir do curso de Biblioteconomia de Fortaleza. Então ele veio importado. Não houve uma adaptação de fato. Somente agora que estamos mexendo em nosso projeto. A maior parte dos professores que entraram não tinha qualificação e de fato isso foi um estímulo e uma necessidade muito grande. Hoje se fizer um comparativo, em 2009 nós não tínhamos um doutor entre os docentes. Em 2015, creio eu, teremos seis doutores. Não que esse saldo quantitativo de fato vai apontar que tudo está ótimo, mas a qualificação docente vem acontecendo até no sentido de promover mais projetos e atividades de pesquisa, pontos que uma região como o Cariri precisa. Com relação ao corpo discente é uma perspectiva muito promissora porque até então eles não tinham a oportunidade de um curso superior a partir de uma universidade federal. Tem a Universidade Regional do Cariri (URCA), que tem aproximadamente uns trinta anos, mas ela nunca desempenhou o papel de pesquisa. Aquele papel de referência de universidade de ponta. Então quando chegou a Universidade Federal do Ceará (UFC), ela chegou com essa nova proposta de incentivar a pesquisa, a prática de extensão e isso proporcionou aos nossos alunos essas oportunidades. São alunos que valorizam muito esse processo de construção acadêmica, sendo uma oportunidade única para a maioria. Agora os problemas estruturais interferem substancialmente na atividade profissional. Nós temos problemas de acesso de ônibus: ele passa com uma regularidade pré-determinada, com horários de 07h20, 07h30, chega outro 08h00 e só vem passar depois por volta de 09h00, 09h30, depois passa outro 11h00. Muitas vezes o horário de aula é para começar as 07h30, na verdade começamos as aulas por volta de 08h00, 08h10, porque infelizmente nossos alunos tem problemas de acesso à universidade, ou seja, a vontade é visível tanto por parte de professores como de alunos, mas os problemas estruturais interferem de fato na qualificação e ampliação do ensino superior.

C. P: Um dos temas que mais você tem trabalhado é o da biblioteca escolar. Você poderia dar um panorama da biblioteca escolar?
J. C.: A biblioteca escolar quando comecei trabalhar com ela ainda não era muito falada, era marginalizada. A concretização da lei 12244/2010 para mim não é um contexto final e sim principiante porque a luta pela concretização da lei é uma luta antiga. Até publiquei um artigo na revista da Associação Catarinense de Bibliotecários (ACB) em que traço esse panorama. Desde 2000 que existe essa proposta. Ela foi votada no Congresso favoravelmente em 2001 e em 2002 foi arquivada. Um deputado paulista com o aval do senador Cristovam Buarque conseguiu essa lei. A verdade é que nós temos mais de 300 mil escolas entre públicas e privadas no Brasil. A ampla maioria não tem bibliotecas. Você pode chamar do que quiser. No Ceará é comum centro de multimeios. Segundo o governo do estado do Ceará, centro de multimeios seria maior que a biblioteca, porque a biblioteca escolar só é composta de livros e o centro de multimeios seria composto por toda uma gama de materiais que seriam tratados tecnicamente. Pergunto: qual seria esse profissional? Porque você coloca o centro de multimeios e inválida a presença do bibliotecário, então eles tentam modificar o nome como uma questão ideológica. Na verdade não é ideológica e sim política, se você inibe a participação do profissional habilitado e especializado como o bibliotecário. Na prefeitura chama salas de leitura, então isso me incomodava, mas ao mesmo tempo me trazia para a realidade. Isso é verdade: a biblioteca escolar que nós estudamos e queremos que seja é apenas normativa, ou seja, deveria ser, mas não é. Muito difícil você encontrar uma biblioteca escolar referencial. Evidente que a realidade vem mudando, o mercado de biblioteca escolar vem crescendo ainda com uma qualificação salarial deixando a desejar. A tendência com a criação dessa lei é que colocamos debaixo do braço e lutemos para que ela seja concretizada da melhor forma possível. Não se trata somente da ampliação de mercado para os bibliotecários, se trata da concepção de ação pedagógica da biblioteca escolar. Se conseguirmos mostrar isso, provavelmente o mercado para os bibliotecários vai se expandir, a minha preocupação é: a área de Biblioteconomia está eminentemente preocupada com o mercado. Ela se esquece de que na verdade não é o bibliotecário que vai ser reconhecido na biblioteca escolar é a biblioteca escolar a partir da ação do bibliotecário que vai ser reconhecido como um todo. Não existe isso de a biblioteca escolar aqui e o bibliotecário em outro lugar. Ambos precisam ser parceiros. O bibliotecário como profissional e a biblioteca enquanto instituição sócio-pedagógica.

 

Rodolfo Targino: Anteriormente você tocou em questões referentes à estrutura da universidade. A política do governo Federal em relação às universidades ficou muito caracterizada na adoção da Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (REUNI). Como o REUNI chegou até vocês no Cariri? Houve algum debate entre docentes e discentes? Qual avaliação que você faz em relação à política do governo Federal em relação às universidades?
J .C.:  O governo do Partido dos Trabalhadores (PT) no qual eu apoiei muito desde 1998 é de fato firmado como o governo da mudança. Não posso negar que o PT tentou implementar essas mudanças, só que a grande questão que me preocupa no governo do PT, é que eles perceberam que é mais fácil valorizar a quantidade do que a qualidade, porque a quantidade ganha votos e a qualidade ganha críticos. Quando você ganha apenas votos é muito mais fácil do que ganhar críticos.  Então o que o PT percebeu: a educação é um ponto chave e se qualifica em um processo muito rápido é um gasto muito forte. Vai faltar dinheiro para banqueiro, para empresário, para a elite e vai ter dinheiro para quem precisa. Então o REUNI na verdade como ele se deu: o governo lançou edital e as universidades se inscreveram. Várias universidades se inscreveram. No Nordeste que é a minha realidade mais próxima, a UFC, a Universidade Federal do Pernambuco (UFPE), a Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e a Universidade Federal da Bahia (UFBA) se inscreveram. Então várias universidades se inscreveram visando serem contempladas com o edital do REUNI. A priori a ideia era maravilhosa e fantástica: “vamos dar oportunidades aquelas pessoas que pesquisam”. O que não foi imaginado era o que tinha por trás disso: o governo do PT lançou a proposta e quando ela começou a ser implantada não teve recursos. Os terrenos eram precários, as prefeituras não davam o apoio necessário. Infelizmente quando se fala em educação com a prefeitura ela só quer saber de ter o retorno sem se doar primeiro e isso não existe como você tem retorno sem doar. A prefeitura não doava e o governo do PT ficava distante. Percebeu que lançando universidades todo mundo vai gostar, vou contratar professores e técnicos administrativos em nível superior e médio, vou dar acesso educacional aos estudantes e tudo vai ser maravilhoso. Quando você entra na realidade você sente de fato que isso não é bem intencionado e tão bem concretizado quanto parece. A UFC foi com a maior boa vontade do mundo e abriu três campi: um em Sobral na região norte do estado, um em Quixadá da região central e o campus Cariri, que concentraria Juazeiro, Crato e Barbado. Na verdade o curso de Barbado já existia, curso de mestrado desde 2001. Quando o REUNI surgiu de fato, eles emendaram e criaram os cursos. Quando esses cursos foram criados a proposta era ótima, a perspectiva de acesso educacional era ótima, mas depois começou a sentir os problemas: a comida era ruim, ás vezes não tinha lugar de almoço, não tinha onde tirar xerox, não tinha onde imprimir, o acesso aos transportes era extremamente deficitário… Então o governo do PT lançou a quantidade e não se preocupou com a qualidade. Os professores começaram a fazer movimentos e protestos, tanto é que a greve dos professores desse ano estava muito bem pautada em duas condições: a primeira estruturação do plano de carreira e a segunda que era a expansão qualificada do REUNI e o governo infelizmente reduziu o movimento grevista ao aumento de salário. As pessoas vão ganhar 25% no mínimo, nenhum profissional vai ganhar isso. Nem preciso discutir a questão salarial porque de fato não é o mais importante. O ideal é ter uma boa estrutura para trabalhar, condições efetivas de pesquisa. Por exemplo, o professor universitário hoje quando ele faz um projeto de extensão ele não tem nenhuma gratificação, então aquele professor que faz porque gosta de fazer, gosta da oportunidade, qual é o grande problema: o professor que faz o projeto vai ganhar o mesmo daquele professor que não faz nada. Temos aquela disparidade acadêmica: aquele que faz muito e se sacrifica e aquele que faz pouco e se sacrifica pouco. O fato é que cria um desequilíbrio, mas no final das contas a valorização financeira e institucional é muito semelhante. O REUNI a priori é uma proposta excelente, mas do ponto de vista empírico tem sido deficitário porque o governo não tem investido corretamente. Tem sido muito falado na mídia sobre os 10% para a educação e o PT  quando foi oposição era favorável. O ministro da educação, Aloísio Mercadante, grande defensor da educação, e era professor universitário, lutava por isso e hoje ele diz que quer 8% ao invés de 10% porque não tem orçamento. Por que não tem orçamento? O Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) fez um estudo sobre a evolução do salário mínimo no Brasil, o que desmistificou toda essa caracterização do PT de que tudo antes era ruim e agora está melhor. A pesquisa revelou que o salário mínimo maior da história foi o de 1959. Era de R$ 1.732,28. Mostra que nem sempre o Brasil tinha aquela condição miserável que parecia. Na verdade o Brasil não é um país pobre e sim desigual, um país explorado. Essa questão histórica ocasionou uma mentalidade de que o Brasil é um país pobre e que não tem recursos. Quando o DIEESE fez o estudo da evolução do salário mínimo, ele chegou à seguinte conclusão. Isso foi em 2009. O próprio governo do PT foi desmascarado, a verdade é essa. Sabe quanto é gasto para pagar a dívida interna do país? Não era a dívida externa o problema. O PT sempre se orgulhou de ter acabado com a dívida externa, mas esse nunca foi o problema. O problema sempre foi a dívida interna. O governo do PT pagava em 2009/2010 44% do orçamento só com dívida interna do país, o que equivale aproximadamente a 635 bilhões de reais, quase metade desse valor era de metajuros. Eram os juros que o país não sabia que existia, mas os bancos cobravam. Os bancos determinam e se não pagar eles não emprestam mais dinheiros, por isso que as campanhas de hoje são milionárias. Hoje parece que esse valor já chega a quase 900 bilhões, quase 50% do orçamento. Então você pergunta: “o que isso tem a ver com o REUNI?” Ora, se você tem quase 50% do orçamento público comprometido com dívida para banqueiro, vai sobrar o que para educação? Claro que o PT vai dizer que 10% não é possível e acaba humilhando mais os professores porque o atual ministro da Educação, Aloizio Mercadante, fez a imagem do professor mais vergonhosa do que já era. Mercadante mostrou que professor universitário só serve se tiver no mínimo doutorado. Então o professor vale o título que ele tem. Olha que interessante: você sabe quanto tempo o Aloizio Mercadante demorou a fazer mestrado e doutorado? Vinte e sete anos, sendo 12 anos para fazer o mestrado e quinze para fazer o doutorado. Como um professor e ministro chega dizendo na mídia que o professor tem que ter um doutorado, quando ele por si só não justifica nem o título que ele tem. O mais interessante que ele entrou no doutorado em 1995 e terminou em 2010. A tese dele era sobre o governo Lula, de 1995 a 2003 ele ficou brincando? Deve ter brincado de estudar, porque ele passou oito anos analisando outro governo utópico. Isso mostra que o PT não valorizou a educação, porque percebeu que a educação é investimento a médio e longo prazo e isso trás críticos e o PT quer se manter no poder. É muito mais fácil investir nas bolsas. Não considero de fato uma coisa ruim, mas é muito mais fácil investir em um programa periodicamente assistencialista do que desenvolver um programa periodicamente construtivo intelectualmente. O REUNI na verdade é uma espécie de programa para ampliar porque é necessário ampliar, mas a qualidade não é garantida. Quem sente de fato são os estudantes, os professores e servidores que estão nas universidades. A priori o REUNI é uma proposta excelente, mas a prática está muito aquém de conquistar o que se propôs.

Emília Sandrinelli: Temos utilizado na Revista Biblioo o termo a nova Biblioteconomia. Na verdade foi um termo que nos apropriamos e vimos pela primeira vez na Bienal do Livro do Rio de Janeiro de 2011 em uma mesa que fomos convidados a participar. Ela trás uma série de reflexões sobre a Biblioteconomia atual. Gostaria de saber a sua visão a respeito da Biblioteconomia que temos hoje e se existe uma nova Biblioteconomia, o que ela é ou o que ela deveria ser?
J. C.: Como pesquisador da etimologia da Biblioteconomia esse assunto é muito instigante. Particularmente não falaria em nova Biblioteconomia e sim as novas Biblioteconomias. Porque a Biblioteconomia ela é pregada de acordo com a conveniência sócio-profissional que você está inserido, ou seja, a Biblioteconomia do bibliotecário, do estudante de graduação, do professor e dos órgãos de classe (Conselhos, Associações e Sindicatos). Muitas das vezes não sabemos de fato o papel deles para compor a representação institucional. A Biblioteconomia como disciplina profissional surgiu com essa ênfase a partir do século XIX. No Brasil se destacou a partir do século XX. Ela sempre teve um identidade antinacionalista. Teve influência francesa quando a Biblioteca Nacional abriu o curso em parceria com a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Antes era Federação das Escolas Federais Isoladas do Estado do Rio de Janeiro (FEFIERJ) e depois a influência tecnicista dos Estados Unidos. Por um lado teve a concepção de necessidade de um curso superior em Biblioteconomia, mas por outro lado criou uma concepção de uma Biblioteconomia estagnada, antes daquele bibliotecário ligado a igreja do século XVIII que era considerado um intelectual (ele deixou de ser), o bibliotecário passou a ser aquele profissional que executa atividades. Não pensava mais, era apenas arbitrado a fazer algo. Hoje talvez seja o novo momento de construirmos de fato uma Biblioteconomia nacional. Assim talvez se aplique o termo nova Biblioteconomia, no sentido de uma Biblioteconomia nacionalista, que ufane e bata no peito dizendo: “eu sou nacionalista!” Essa influência declaradamente estrangeira não me serve mais, mas é necessário romper com essa influência? Não necessariamente. É necessário reconhecer que a realidade nacional é uma e a realidade estadunidense e europeia são outras. Por que digo as novas Biblioteconomias? Porque elas são a composição de cada segmento da área? O que é um novo Conselho Federal? O que é uma nova Associação? O que são os novos órgãos de classe da área? O que são os novos bibliotecários? O que são os novos professores? E o que são os novos estudantes? Essa composição junta pode ser pensada a partir da concepção da nova Biblioteconomia. Qual é o grande problema que vivemos hoje? Mesmo que esteja em um processo de adaptação nacional, ainda há problemas de cunho político. Por exemplo, hoje temos um problema de cunho político da atuação do Conselho [Federal de Biblioteconomia]. Não podemos negar: é um problema político muito sério. Nosso conselho historicamente foi marcado por ser subserviente. Acredito que hoje ele está se libertando de uma forma mais cotidiana e hoje também temos um problema acadêmico sério, que é a relação entre Biblioteconomia e Ciência da Informação. Alguns pesquisadores estão querendo colocar que a Ciência da Informação é uma evolução da Biblioteconomia e por isso a Biblioteconomia vai se extinguir e a Ciência da Informação vai emergir como um campo. A nova Biblioteconomia na minha concepção ela não pode ser efetivamente colocada como tal. Precisa definir esses números nacionalmente. Nenhuma das questões se exclui. Um campo cientifico do conhecimento chamado Ciência da Informação que compõe três disciplinas, as chamadas três Marias: Biblioteconomia, Arquivologia e Museologia. A Ciência da Informação é um campo do conhecimento de prática investigativa de informação, enquanto a Biblioteconomia é uma disciplina da Ciência da Informação. No Brasil é a única que se assumi como tal. A Arquivologia não o faz. É outro problema político. E a Museologia pela CAPES nem é considerada disciplina da Ciência da Informação. Essa nova Biblioteconomia ela ainda está sendo gestada pelas gerações anteriores que lutaram e pelas novas gerações que estão vestindo esse espírito de luta. Tem um autor da área, Francisco das Chagas de Souza que já usou um pouco esse termo nova Biblioteconomia ou modernização da Biblioteconomia, mas ou menos por esses meandros. Ele vai mostrar que a área tem que parar com essa mentalidade de colocar a culpa dos nossos problemas na sociedade e nos órgãos maiores. Tem que começar assumir a nossa responsabilidade no sentido de ação profissional, ação social, ação acadêmica. Uma área que realmente se mostre para a sociedade, porque se não reconhecemos esse nosso papel, quem é que vai reconhecer? Se nos apropriamos de uma identidade negativa que se inferioriza perante os demais e como pode falar em uma nova Biblioteconomia? Existe um galgar para uma nova Biblioteconomia, mas ainda é preciso qualificar mais essas relações. Qual é a relação política entre os órgãos de classe e os cursos de Biblioteconomia? Quais são as relações acadêmicas entre a Ciência da Informação e a Biblioteconomia? Sabemos que ainda não temos um grande número de pós-graduação em Ciência da Informação. Ainda há a concepção que a Ciência da Informação enquanto campo do conhecimento vai ocupar o lugar da Biblioteconomia. Sinceramente não sei por que pensam assim. A Biblioteconomia é uma disciplina profissional e nunca vai precisar perder o espaço dela. O pessoal gosta sempre de citar o exemplo dos Estados Unidos, mas no Brasil a Biblioteconomia está desenvolvendo um nível de interdisciplinaridade interessante. A Ciência da Informação como campo do conhecimento e as três disciplinas profissionais. Talvez a nova Biblioteconomia seja de fato concretizada quando ela pensar que a informação não é um elemento abstrato e sim concreto. Ela está no mendigo da esquina, no motorista de ônibus, no comerciante, no empresário, ou seja, a Biblioteconomia é uma profissão que precisa entender a necessidade de acesso à informação.

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2 Comentários

  1. André Maciel
    22 de fevereiro de 2013 a 14:11 — Responder

    "três campus" = três campi

  2. Arnaldo Ricardo
    13 de março de 2013 a 14:48 — Responder

    Muito bem posta, a fala do prof. Jonathas, oque eu penso: tem ai gente "grande" vendendo a ideia de se enterrar com pá de cal a Biblioteconomia, e toda a sua herança ser herdada para a CI, magicamente, parece até coisa de neoliberalismo. Mas temos outra geração que ao contrário de outras, estão em dia comas novas tecnologias e as direcionam para um alcance social, exigindo que apareçam novas disciplinas para que a Informação seja tratada cada vez mais científica e menos tecnicamente ou burocrática.

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