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“Este é o caso mais convincente para provar – mais convincente que qualquer um da própria Bíblia – que o inferno é real. Não um fosso escaldante, não um lugar acima ou abaixo de nós, mas em nós, um lugar em nossa mente”.

Um inferno formado por “médicos e monstros”. É assim que o autor canadense Andrew Pyper (Os Condenados, Lost Girls, The Killing Circle) apresenta o horror enfrentado pelo professor universitário David Ullman, protagonista de “O Demonologista”, lançado no Brasil pela Darkside, editora que tem se destacado no mercado nacional quando se trata do gênero terror/sobrenatural.

Na trama, o professor Ullman está enfrentando um doloroso processo de divórcio. Entre uma aula e outra sobre Paraíso Perdido, obra prima de John Milton, o acadêmico é obrigado a lidar com a sua depressão e os sentimentos cada vez mais melancólicos da filha adolescente Tess. A única aliada de Ullman é O’ Brien, amiga de longa data. Tudo poderia ter sido apenas mais um drama familiar se, certo dia, o professor não tivesse recebido a visita de uma mulher anônima, magra e com odor de palha molhada. Essa mulher intimou David a comparecer à Itália, onde deveria registrar um acontecimento. Invadido pelo escapismo melancólico, o professor decide ir ao local e, como companhia, leva a filha.

Os acontecimentos seguem a trilha do terror quando a filha do acadêmico desaparece e alguns seres demoníacos começam a manter contato. O enredo fala da busca de um pai desesperado, profundo conhecedor de uma obra emblemática e atormentado pelo próprio passado.

O livro de Pyper tinha tudo para fortalecer o famoso “medo do escuro” ao abordar histórias de possessão, demônios e coisas do tipo “o mal está dentro de nós”, mas, infelizmente, a narrativa envereda por caminhos rocambolescos, frases feitas, diálogos clichês e final decepcionante. No transcorrer da história, esperamos que David Ullman desenvolva seu lado demonologista, desmascarando com inteligência, filosofia e metafísica (por que não?) um dos caminhos da ponte que nós, enquanto vivos, não podemos transpor. No entanto, o que percebemos é uma lembrança desconstruída do conhecido professor Robert Langdon, personagem da série de Dan Brown, e uma chuvarada de situações rocambolescas. Ullman é um protagonista sem sal, desnorteado – por razões justificadas, claro – e, nem de longe, alcança a denominação de “demonologista”.

A edição da Darkside é caprichosa, como de costume, e ganha um plus no quesito “beleza mórbida” ao utilizar as ilustrações de Gustave Doré, o artista do “fantástico e soturno”, com trabalhos de intenso e assombroso encanto. Doré ilustrou obras de gente como François Rabelais, Dante Alighieri, Miguel de Cervantes e Lord Byron – citando alguns nomes.

Como livro de terror e sobrenatural, O Demonologista remexe em dramas existenciais e familiares. Falta o olhar direto para o abismo, o arrepio da nuca e os sons que se movem na madrugada solitária.

Informações complementares:

Capa de “O Demonologista”. Foto: divulgação

Obra: O Demonologista

Título original: The Demonologist

Tradução: Cláudia Guimarães

Editora: Darkside

Ano: 2015

Páginas: 320

Preço: Entre R$ 32,90 e R$ 49,90.

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