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O 19º Salão FNLIJ do livro para crianças e jovens aconteceu de 21 a 28 de junho de 2017, no Centro de Convenções SulAmérica, na Cidade Nova – Rio de Janeiro. Apesar de bem menor (em dias e estrutura) do que as edições passadas, o evento recebeu mais de 5.500 alunos de escolas públicas e particulares, da educação infantil aos da educação de jovens e adultos, que nesse ano tiveram um momento exclusivo para eles. Também professores, bibliotecários, autores, ilustradores, editores, teóricos e toda a sorte de apaixonados pelo tema não deixaram de estar lá pelo menos uma vez.

Além dos estandes de 37 editoras, houve a presença da Associação de Autores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil (AEILIJ), da Secretaria Municipal de Educação (SME), bibliotecas (com a presença de bibliotecários!), espaços reservados para autores e ilustradores conversarem com as crianças, além de uma sala para o “Encontros Paralelos”, um espaço de debate com vasta programação.

A abertura contou com várias autoridades da área, numa mesa com Isis Valéria, presidente da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ); a autora Ana Maria Machado, ex-presidente da Academia Brasileira de Letras; Simone Monteiro, coordenadora do programa Rio, uma cidade de leitores da SME; o ilustrador Roger Mello, ganhador do prêmio Hans Christian Andersen, entre outros.

Foi comentado que, se no ano passado houve o “Salão da Resistência”, esse seria o “Salão da sobrevivência”. Como afirmou a diretora-geral da FNLIJ, Beth Serra, esse foi o “Salão da perseverança, da teimosia”, pois a atividade aconteceu mesmo sem a grande patrocinadora, a Petrobrás, e outros colaboradores, contando apenas com o apoio da SME, mas tendo intensa participação de estudantes e com a compra de acervo por todas as escolas municipais.

Nos dias 26 e 27 também aconteceu o 19º Seminário FNLIJ Bartolomeu Campos de Queirós, que teve como tema “Prêmio FNLIJ: seleção 2017”, com mesas com os votantes apresentando os livros e os critérios de escolha. E, como novidade, este ano a FNLIJ apresentou pesquisas acadêmicas sobre a literatura infantil e juvenil de autores indígenas, tema costumeiro do Seminário.

Os bibliotecários da Prefeitura também tiveram seu espaço nessa edição participando da mesa dos “Encontros Paralelos” do Salão. Os profissionais tiveram a oportunidade de renovar seu acervo e se capacitar participando do Seminário, e conversando com autores, ilustradores e participando da Roda de Conversa “Bibliotecário: leitor e formador de leitores”, da qual tive a oportunidade de ser palestrante na companhia de Volnei Canônica, diretor do Centro de Leitura Quindim, ex- diretor da Diretoria do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas (DLLLB) do Ministério da Cultura, ambos estreantes na Biblioo.

Também tivemos outra gratificante participação no Salão, a da bibliotecária Maria das Graças Monteiro Castro, da Universidade Federal de Goiás (UFG), que entre uma participação e outra nas mesas do Seminário, nos falou da relação da biblioteconomia com a literatura infanto-juvenil.

Graça, qual a importância da participação de um bibliotecário na equipe de votantes da FNLIJ?

É um espaço que não nos é fornecido, mas conquistado. Se a gente não se preparar para ocupar os espaços, isso não vai acontecer. É uma conquista e vem em consequência de um processo de formação e qualificação individual. E nessa perspectiva, participar da escolha dos livros premiados pela FNLIJ me garante um processo de formação permanente, porque o meu trajeto de leitura e formação começou há 30 anos, ao me formar, quando entendi que nunca seria uma bibliotecária técnica, mas uma bibliotecária que entendia a profissão como uma educadora. E fui buscar minha formação nisso, fazendo curso de especialização em literatura infantil, mestrado e doutorado na área da educação. E a FNLIJ abre esse espaço generoso para que o bibliotecário ocupe. Desde que ele se torne um leitor e efetivamente um conhecedor daquilo que é o objetivo da Fundação, que é a literatura para crianças e jovens.

Qual o espaço da leitura literária nos cursos de biblioteconomia no Brasil?

Maria das Graças Monteiro Castro falou da relação entre biblioteconomia com a literatura infanto-juvenil. Foto: Cilene Oliveira

Totalmente inexistente. Nós [bibliotecários], temos uma perspectiva extremamente tecnicista, principalmente depois do advento da “ciência da informação”. Se nós não deslocarmos da informação para o conhecimento, vamos ser totalmente substituídos pela tecnologia. O que proporciona efetivamente uma qualificação hoje, no tratamento da informação, é aquele bibliotecário que é leitor e que trata o conhecimento em sua profundidade. E na literatura, em especial, isso não existe. Na nossa reforma curricular [na Universidade Federal de Goiás], que aconteceu no final de 2016, com a implantação do novo currículo agora em 2017, temos uma abordagem para a formação do bibliotecário na área social, educacional e cultural. Mas ainda com um currículo muito técnico.

E uma única disciplina, Produção Cultural para Crianças e Jovens, onde tratamos dos formatos que a cultura tem na área do cinema, teatro, televisão e literatura. E, em especial, acredito que eu vá desenvolver uma disciplina agora, de núcleo livre (optativa), na área da literatura para crianças e jovens, porque nós temos um laboratório, que é o Libres, com todo o acervo do prêmio da Fundação. Nós criamos uma biblioteca escolar modelo, onde há a possibilidade de estágio obrigatório e tem tido um interesse crescente. Então nós estamos plantando uma semente, vamos ver no que vai dar. É um laboratório de extensão do curso de biblioteconomia. Chama-se LIBRES – Laboratório do Livro, Literatura, Leitura e Biblioteca.

Qual é o seu maior desafio ao formar “formadores de leitores”?

O fato de não serem leitores. O primeiro obstáculo é apanhar turmas de biblioteconomia, onde chegam 50 jovens que não têm a menor noção de que é o curso, de como o curso pode proporcionar esse encurtamento do acesso ao livro e à leitura e de jovens que vão ter o primeiro contato com a biblioteca na Universidade. Trabalhamos com uma juventude que vem com uma “pobreza cultural” muito grande, que vem de uma tradição oral sem passar pelo texto escrito, indo direto para um áudio-visual, hoje numa perspectiva muito maior e que o professor tem que praticamente virar do avesso para consegui-los fazer entender que não há técnica sem conteúdo e que eles são inseparáveis. Formar leitores nessa perspectiva é um trabalho árduo, um desafio permanente. E eu não acredito em fórmulas postas pelo simples ato de contar histórias. É disciplina, é persistência e investimento permanente na formação do leitor.

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