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Bibliotecários e representantes de órgão de classe da biblioteconomia do Rio de Janeiro criaram uma mobilização em defesa das bibliotecas-parque e realizaram na manhã de hoje (16) um ato em frente à Biblioteca Parque Estadual, na Avenida Presidente Vargas.

O evento faz parte das comemorações da semana do bibliotecário no Rio de Janeiro e contou com uma programação de atividades culturais e artísticas reunindo profissionais de diferentes áreas. A atividade buscou atrair professores, estudantes, profissionais da informação e cidadãos em geral em prol da reabertura e pleno funcionamento das bibliotecas-parque do Rio que estão de portas fechadas desde o fim do ano passado.

Durante a programação cultural, o coral formado por pessoas em situação de rua e frequentadores das bibliotecas realizou uma apresentação. Atividades de distribuição de livros e grupos de cordel e poesias também marcaram presença.

Coral com pessoas em situação de rua durante apresentação no ato. Foto: Jeorgina Rodrigues / APCIS-RJ

A bibliotecária e presidente do Grupo de Profissionais em Informação e Documentação Jurídica do Rio de Janeiro (GIDJ-RJ), Kelly Pereira Lima, uma das responsáveis em construir a mobilização, alerta a classe para a importância da responsabilidade social dos bibliotecários no contexto de ataques as bibliotecas públicas. “Este é um momento de responsabilidade social dos bibliotecários porque o cidadão está perdendo o acesso a cultura, a leitura e a arte”, destacou.

Bibliotecas-parque do Rio seguem sem previsão de reabertura

As três unidades das bibliotecas-parque localizadas no município do Rio (Centro, Manguinhos e Rocinha) continuam fechadas desde o dia 30 de dezembro do ano passado e até agora estão sem previsão de reabertura.  A unidade de Niterói está funcionando sem realizar empréstimos de livros e com uma quantidade de funcionários reduzida porque grande parte foi dispensada sem prévio aviso.

De acordo com Helene Aguiar, ex-gerente de acervo e atendimento das bibliotecas-parque, algumas unidades já estão com a estrutura sendo degradadas com o furto de cabos de energia, luminárias e vidraças quebradas. “É urgente a reabertura de cada unidade das bibliotecas-parque. Já começamos a perceber a degradação dos prédios com furtos de fios, luminárias e vidraças quebradas com pedras. Estamos caminhando para três meses de bibliotecas fechadas e não cumprindo a função social que elas têm para a sociedade”.

Iracema Massaroni, professora e bibliotecária que atuava na Biblioteca-Parque da Rocinha como gerente de acervo, destacou a importância das atividades de leitura, dos projetos sociais da unidade para a comunidade local e a luta dos moradores da Rocinha para a construção do espaço. “Tínhamos um trabalho social e de leitura muito forte e que contava com o apoio e participação da comunidade. A Biblioteca da Rocinha é fruto de mais de trinta anos de lutas dos moradores da região para conseguir o espaço e hoje muitos estão na rua, excluídos, sem poder desenvolver e participar dos projetos”.

Procurada por nossa equipe, a Assessoria de Comunicação da Secretaria estadual de Cultura do Rio (ASCOM) informou que tem conhecimento do ato realizado na manhã de hoje na Biblioteca-Parque Estadual e ficou de enviar por e-mail uma posição a respeito deste caso, mas até o fechamento desta matéria não recebemos nenhuma resposta a solicitação.

SINDIB-RJ ganhou ação coletiva contra o IDG

O Sindicato dos Bibliotecários do Rio de Janeiro (SINDIB-RJ) entrou com uma ação coletiva contra o Instituto de Desenvolvimento e Gestão (IDG) que administrava as bibliotecas parque. Depois de receber denúncias de que o IDG estava pagando salários para os bibliotecários abaixo do piso salarial estadual previsto na Lei 6.983/2015, o sindicato entrou com uma ação coletiva na 81ª Vara do Trabalho.

O SINDIB-RJ informou em seu site no dia 29 de fevereiro de 2016 que o juiz Francisco Montenegro Neto concedeu liminar determinando que o IDG pagasse a todos os bibliotecários o valor do piso estadual, que neste período era de R$2.432,72, mais repercussão nas férias, 13º salário, aviso prévio e FGTS, com data retroativa a 1º de janeiro de 2015.

Durante o ato desta manhã na Biblioteca-Parque Estadual, Luciana Manta, presidente do SINDIB-RJ, informou que a ação foi ganha pelo Sindicato e que os bibliotecários vão receber a diferença salarial referente aos anos de 2014 e 2015. “Um dos maiores ganhos que tivemos é a certeza que meus colegas vão poder receber a diferença salarial porque o SINDIB ganhou a causa contra o IDG. Isso é um ganho de uma luta em prol dos bibliotecários que trabalharam nesta biblioteca tão importante para a sociedade”.

Representantes de entidade de classe marcaram presença durante o ato. Foto: Divulgação

Além dessa ação do SINDIB-RJ, entidades e órgãos de classe também divulgaram um manifesto assinado pelos respectivos presidentes em favor da reabertura e funcionamento das Bibliotecas-Parque do Rio de Janeiro e coletaram assinaturas para um abaixo-assinado reivindicando a reabertura e manutenção das unidades. Confira abaixo a integra do manifesto:

Manifesto em favor da reabertura e pleno funcionamento das Bibliotecas Parque do Rio de Janeiro

Nós, cidadãos e bibliotecários, representados pelas entidades civis identificadas, que firmam este manifesto, vimos expressar nosso profundo descontentamento pela gravíssima situação em que se encontram as Bibliotecas do Estado do Rio de Janeiro.

O objetivo desses espaços e os investimentos empreendidos com recursos públicos, advindos também do Ministério da Cultura, por si só, já deveriam justificar todos os esforços que, aparentemente, não foram empregados para garantir o pleno funcionamento desses equipamentos culturais tão necessários e essenciais a todos os que deles se beneficiavam direta ou indiretamente.

A Biblioteca Pública do Estado do Rio de Janeiro (Celso Kelly) é uma instituição centenária. Um espaço criado pelo imperador Dom Pedro II no ano de 1873 e guardiã de acervo raro na Seção Guanabarina (obras sobre o Estado da Guanabara).  Após o projeto de modernização, em 2014, foi reinaugurada como Biblioteca Parque Estadual.

As Bibliotecas Parque: Centro, Manguinhos, Rocinha, Niterói e do Alemão promoviam atividades culturais diversas, reuniam profissionais de diferentes áreas dedicados a fazer cumprir o papel social desses equipamentos culturais nas comunidades nas quais estavam inseridos, contribuindo para o atendimento das suas necessidades informacionais, educacionais e recreativas, promovendo o acesso à informação e ao lazer, favorecendo a pesquisa e a produção do conhecimento, propiciando melhoria na qualidade de vida dos cidadãos que vivem no Estado do Rio de Janeiro.

Lembramos o manifesto da IFLA/UNESCO sobre bibliotecas públicas, de 1994: “A biblioteca pública – porta de acesso local ao conhecimento – fornece as condições básicas para uma aprendizagem contínua, para uma tomada de decisão independente e para o desenvolvimento cultural dos indivíduos e dos grupos sociais”.  Manter  bibliotecas é assegurar ao cidadão o pleno exercício do direito de acesso e uso do livro.

Neste sentido, reivindicamos que a administração pública estadual e o Ministério da Cultura envidem todos os esforços necessários ao pronto e satisfatório restabelecimento e funcionamento das Bibliotecas Parque do Estado do Rio de Janeiro. Também queremos ser informados das ações realizadas visando à retomada desse serviço à população.

Conselho Federal de Biblioteconomia (CFB)

Presidente: Raimundo Martins de Lima

Federação Brasileira de Associação de Bibliotecários e Instituições (FEBAB)

Presidente: Adriana Cybele Ferrari

Conselho Regional de Biblioteconomia 7ª Região (CRB7)

Presidente: Lucia Alves da Silva Lino

Sindicato dos Bibliotecários no Estado do Rio de Janeiro, (SINDIB-RJ)

Presidente: Luciana Manta Brício Pinhel

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  1. Thiago
    17 de março de 2017 a 16:09 — Responder

    Excelente matéria! Abraços.