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Na semana passada diversas cidades brasileiras amanheceram com grande parte dos serviços básicos paralisados. Milhares de trabalhadores resolveram cruzar os braços em protesto contra as medidas da dita reforma trabalhista aprovada na Câmara dos Deputados.

No Rio de Janeiro a Ponte Rio-Niterói foi bloqueada, o serviço das Barcas ficou paralisado durante o período da manhã. Em São Paulo os ônibus não saíram das garagens e algumas linhas do metrô não funcionaram. Alguns âncoras do jornalismo brasileiro e filósofos de redes sociais bradavam contra as manifestações dizendo que era um absurdo os bloqueios de serviços e avenidas por interferir no direito de ir e vir do cidadão.

Rio, cidade desespero

O Rio de Janeiro foi uma das cidades que mais sofreu com a repressão policial nas manifestações da Greve Geral. Em torno de oito pessoas ficaram feridas, dentre elas a bibliotecária Lucia Santos, alvejada com um tiro de bala de borracha no pescoço. Uma semana depois a cidade do Rio de Janeiro amanhece com 3 mil alunos sem aulas no Caju; 35 colégios e creches municipais fechadas; professores impedidos de trabalhar por causa da violência; 10 mortes em 15 dias no Complexo do Alemão e 27 mil estudantes vão ficar sem a gratuidade intermunicipal no transporte a partir da próxima segunda-feira.

Diante desses números onde estão os âncoras do jornalismo brasileiro? Onde estão os filósofos das redes sociais? O silêncio deles revela o quanto a indignação é seletiva, confirmando a lógica perversa e naturalizada de que a violência contra pobre, preto e favelado é algo que já não causa indignação.

Uma iniciativa interessante foi divulgada pelo Voz da Comunidade, um jornal comunitário com tiragem impressa no Complexo do Alemão, no início desta semana. A equipe do Voz da Comunidade foi para as ruas do Rio de Janeiro realizar um experimento social intitulado o “Som da Guerra”. A ideia era registrar a reação das pessoas ao ouvirem um áudio de tiroteios no Alemão. Foi pedido aos ouvintes para identificar o local em que os tiros eram disparados e por incrível que pareça grande parte das pessoas responderam que eram em países em guerra como Afeganistão, Iraque, etc.

O Som da Guerra

Outra iniciativa que se levanta contra ao corte da gratuidade  no transporte público para os alunos foi organizado pela Organização Meu Rio. Uma campanha em uma plataforma digital pretende pressionar a decisão do secretário estadual de Educação, Wagner Victer em cortar a gratuidade de metrô, trens, barcas e ônibus intermunicipais dos estudantes municipais e federais. Para mandar sua mensagem em favor dos estudantes clique aqui.

O paradoxo se confirma, apesar de próxima, a realidade das favelas é distante e até mesmo banalizada em nosso cotidiano. O Rio de Janeiro vive tempo difíceis em que fechar escolas e bibliotecas, não pagar servidores, sucatear universidades e centros profissionalizantes virou rotina e porque não dizer uma prática de governo. O último a sair apague a luz e feche a porta.

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